Premium Entre o silêncio e o gueto

Em texto anterior, lembrei que a presença africana em Portugal, incluindo quer os berberes e os árabes do norte de África quer os indivíduos originários da região subsariana do referido continente, remonta ao século VII. Talvez devido ao atual aspeto cromático dos árabes e berberes do norte, em particular as suas elites, que passaram por um processo de embranquecimento histórico, a sua condição de indivíduos africanos tende a ser omitida, o que serve ao mesmo tempo para silenciar a contribuição africana em geral para a formação portuguesa e para alimentar o preconceito racial contra os africanos negros, na sua maioria oriundos do sul do Sara.

A historiadora Isabel de Castro Henriques, no seu livro A Presença Africana em Portugal, Uma História Secular: Preconceito, Integração, Reconhecimento (Séculos XV-XX)", recorda que esse preconceito foi sendo organizado a partir, sobretudo, do século XV, com a chegada, como escravos, de grandes contingentes de homens e mulheres negro-africanos. "É um início de um longo processo de construção e de afirmação de um preconceito que desvaloriza a humanidade dos africanos (...). Até quase aos nossos dias, a identificação imediata entre preto ou negro = escravo marca ainda o nosso [português] imaginário: a discriminação racial e social articula-se para construir uma imagem negativa do africano", escreveu ela.

Ler mais

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG