Polícias a jogar à apanhada e um vírus que não tira férias. Valha-nos CR7

Sábado, 19 de junho

Um atropelo alemão para abrir os olhos

Os três golos de rajada à Hungria, nos últimos minutos, na estreia de Portugal no Euro 2020, mascararam algumas fragilidades da seleção nacional, mas a exibição e goleada sofrida frente à Alemanha tornaram impossível ignorá-las. Apesar dos sinais de alerta, Fernando Santos insistiu no mesmo onze, mas a falta de velocidade de Danilo e William, bem como um certo desgaste físico de Bruno Fernandes e Bernardo Silva, foram um fardo demasiado pesado para suster uma Alemanha que foi mais em tudo - mais veloz, mais solidária, mais organizada, mais empenhada, mais autoritária. A boa notícia é que, num Europeu com 24 equipas em que apenas 8 caem na 1.ª fase, Portugal dependia apenas de si próprio para seguir em frente. Fernando Santos tinha oportunidade de mudar o rumo dos acontecimentos frente à França e abrir espaço para outros jogadores (mais frescos, mais combativos) como, por exemplo, Renato Sanches.

Domingo, 20 de junho

Números e riscos que aumentam

No segundo dia de 'fecho' na Área Metropolitana de Lisboa, os números que chegaram da DGS foram tudo menos animadores. A semana fechou com 7603 novos casos de covid (uma média superior a mil por dia), mais 2802 que nos sete dias anteriores. Os maus indicadores não ficaram por aqui: também houve mais mortos (18/13), mais pessoas hospitalizadas tanto em internamento geral como em UCI (mais 80; mais 15) e o Rt (de 1,07 para 1,14) e a taxa de incidência (de 79,3 casos por cem mil habitantes a nível nacional para 100,2) dispararam. No mesmo dia, o INSA atualizou a informação sobre as variantes a circular em Portugal, dando conta que a prevalência da Delta na região de Lisboa e Vale do Tejo já é superior a 60%, quando na região norte ainda não atingia 15%. O instituto relembrou o que mais se teme em relação a esta variante associada à Índia, que terá "um grau de transmissibilidade cerca de 60% superior à Alpha", a variante britânica, que rapidamente se tornou prevalente um pouco por todo o mundo precisamente por ser mais contagiosa.

Segunda-feira, 21 de junho

O País a ver polícias a jogar à apanhada

Durante mais de 10 horas, assistiu-se em Lisboa a uma espécie de jogo da apanhada em que os protagonistas eram polícias - os que manifestavam sob a organização do Movimento Zero e os que estavam ao serviço para garantir a segurança pública. Sob o lema "hora de agir - unidos somos a tempestade que os atormenta!", ouviram-se apelos à desobediência, invadiram-se zonas onde o desfile não estava autorizado, ao mesmo tempo em que se ia alternando o vestuário entre fardamento oficial da PSP e GNR ou camisolas do movimento que nasceu nas redes sociais e que foi abraçado pelo Chega de André Ventura. Tudo isto numa fase em que, devido à pandemia, estão a regressar restrições que obrigam as forças de segurança a trabalho extra. E em que a execução dessa tarefa é cada vez mais complicada face à crescente fadiga pandémica da população. Não está em causa o direito à manifestação e, felizmente, não houve incidentes graves a registar. Mas o timing escolhido para este protesto dificilmente podia ter sido pior.

Terça-feira. 22 de junho

Uma bazuca para avaliar nas urnas

Marcelo Rebelo de Sousa já passou por diversas vezes, em diferentes contextos, a seguinte mensagem: o Orçamento do Estado deve ser aprovado para que se evite uma crise política e eleições antecipadas, potenciadoras de ainda mais incerteza no país em plena crise pandémica. Desta vez elevou um pouco mais a fasquia. Com 2023 já a virar da esquina, o Presidente da República diz que as eleições legislativas desse ano serão a oportunidade certa para os portugueses avaliarem a gestão feita pelo governo dos fundos europeus da bazuca. "Nos próximos anos ou damos o salto que merecemos ou nos resignamos ao fado da perda desse futuro. (...) Todos os envolvidos em decisão e execução dos fundos terão de apresentar contas", frisou Marcelo.

Quarta-feira, 23 de junho

Objetivo cumprido e CR7 a ser CR7

Fernando Santos emendou a mão. No jogo decisivo com a França lançou no onze João Moutinho e Renato Sanches (que acabaria por ser um dos melhores em campo), uma dupla de médios que se complementa muito bem: o primeiro raramente falha um passe, garante mais posse de bola, antecipa e ocupa os espaços por onde o perigo pode aparecer; o segundo traz força, velocidade e um boa dose de improviso que cria desequilíbrios no adversário. Portugal mudou para melhor e isso notou-se no empate com a França, que ditou a passagem aos oitavos de final do Euro 2020 (a Bélgica, líder do ranking FIFA, é o adversário que se segue). O jogo fica ainda marcado por mais um feito de Ronaldo, que ao concretizar os dois penáltis igualou o recorde de 109 golos do iraniano Ali Daei por seleções nacionais. CR7 a ser extraordinário, como nos habituou.

Quinta-feira, 24 de junho

Trave-se o país (e vá para Sevilha)

Mesmo com o "acelerador a fundo" no processo de vacinação, como descreveu o vice-almirante Gouveia e Melo, mas sem vacinas suficientes para se acelerar ainda mais, os números da pandemia não param de subir, agravados pela progressão da variante Delta. O atual cenário de internamentos, mortes e casos é bem menos dramático do que aquele que se viveu em janeiro e fevereiro. No entanto, continuam a ser a taxa de incidência e o R(t) os únicos que balizam se se avança ou recua no desconfinamento. Como os dois dispararam nos últimos dias lá chegaram as más notícias: Lisboa e Albufeira juntam-se a Sesimbra e recuam no desconfinamento e há mais 19 concelhos que podem seguir o mesmo caminho daqui por uma semana. Horas depois de Ferro Rodrigues desafiar os portugueses a deslocar-se "de forma massiva" até Sevilha (tão só a pior região da pandemia em Espanha) para apoiar a Seleção, o governo diz que "não existem condições para se avançar no desconfinamento". Espectacular.

Sexta-feira, 25 de junho

"Um ato de indisciplina", longe de ser o único

Conhecido o caso de alegada vacinação indevida, no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental, a um número indeterminados de pessoas que não faziam parte dos escalões etários a inocular nesta fase, o coordenador da task force reagiu com dureza. "Para todos os efeitos, é um ato de indisciplina. Num plano desta complexidade e com esta urgência e, sendo massivo, tem de haver disciplina", frisou Gouveia e Melo, adiantando que a situação foi participada à Polícia Judiciária (PJ) e à Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS). O caso está longe de ser um episódio isolado. Segundo os dados comunicados pela PJ, foram já abertos 216 inquéritos relacionados com vacinação indevida. Cerca de trinta foram, entretanto, concluídos e, para já, foram constituídos mais de 50 arguidos.

pedro.sequeira@dn.pt

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