Premium A discriminação dos "pretos" que inspirou Harper Lee renasce em novela gráfica

O romance gráfico Persépolis, de Marjane Satrapi, alterou a vida de Fred Fordham. Largou o estudo da Política e Filosofia e tornou-se ilustrador. A sua adaptação do mítico Mataram a Cotovia, de Harper Lee, já chegou a Portugal.

Numa das notas finais da nova versão ilustrada de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana está um aviso sobre a linguagem: "O uso da palavra 'preto' em Mataram a Cotovia causou alguma controvérsia." Explica a nota que Harper Lee, que utilizou o termo nigger, "incluiu a palavra intencionalmente para ilustrar a sociedade sobre a qual escrevia" e que o ilustrador Fred Fordham manteve na sua adaptação porque, afirma, "não pretendo reinventar a história e as personagens", optando por reproduzir o texto conforme o original.

Ora se a nova versão deste clássico literário é um tanto inesperada pois trata-se de um romance gráfico com 273 páginas - o romance tem 340 -, esta aposta em respeitar a linguagem em tempos do politicamente correto ainda o é mais. Quem chegar à página 99, por exemplo, lerá uma das frases de Harper Lee que a passagem do tempo tornou polémicas: "Não tens culpa por o Atticus ser amigalhaço dos pretos", a que se segue um conjunto de imagens em que a jovem protagonista bate no rapaz que tinha feito a acusação.

Ler mais

Exclusivos