Premium Antissemitismo no caminho de Corbyn para Downing Street

Apesar da crise no governo, Labour não descola nas sondagens devido a polémica antissemita, mas também à falta de alternativas ao brexit de May.

Jeremy Corbyn segura uma coroa de flores enquanto olha para quem tira a fotografia. Estamos em 2014, um ano antes de ser eleito líder do Labour, num cemitério em Tunes. O então deputado diz que estava numa cerimónia de homenagem aos 47 palestinianos mortos, em 1985, num ataque aéreo israelita a uma base da Organização da Libertação da Palestina na Tunísia. Mas o tabloide Daily Mail revelou que o monumento que assinala esse evento está a mais de dez metros de distância e que, na realidade, ele estava junto à placa que assinala a campa dos membros do grupo responsável pelo massacre de 11 atletas e técnicos israelitas nos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

Este foi só mais um episódio numa longa série de acusações de antissemitismo contra Corbyn ou o Partido Trabalhista, que teimam em não desaparecer por muito que o Labour as desminta ou lembre o passado de ativista dos direitos humanos e antirracismo e intolerância do seu líder. Isso, juntamente com uma posição não comprometedora sobre o brexit e propostas económicas radicais na economia, são um entrave no caminho até ao número 10 de Downing Street.

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Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.