Procol Harum: e no fim há A Whiter Shade of Pale

Os Procol Harum estão de volta a Portugal. Hoje em Lisboa e amanhã no Porto, com o vocalista da formação inicial, Gary Brooker, a reinterpretar os grandes sucessos da banda desde que explodiram com o single A Whiter Shade of Pale em 1967.

Quarenta e seis anos após os dois primeiros concertos dos Procol Harum no pavilhão Dramático de Cascais, nos dias 24 e 25 de fevereiro de 1973, a banda regressa a Portugal. E não faltará o grande sucesso A Whiter Shade of Pale no alinhamento dos 17 temas que o eterno vocalista Gary Brooker interpretará hoje no palco do Coliseu de Lisboa e amanhã no do Porto.

Foi das primeiras bandas de sucesso a incluir Portugal numa digressão e só dois anos depois passariam pelo mesmo pavilhão os Genesis. Tinham acabado de lançar um álbum em que tocavam ao vivo com uma orquestra sinfónica, a Edmonton Symphony, perante três mil espectadores, um disco inesperado e que muitas outras bandas copiaram nas décadas seguintes.

Os Procol Harum vieram a Cascais com uma das muitas formações de mais de cinco décadas de carreira e agora regressam aos coliseus apenas com o vocalista original. Nada que impeça os saudosistas de álbuns como Grand Hotel ou do tema Conquistador de ver e ouvir Gary Brooker, septuagenário mas com o mesmo timbre de voz.

A banda não tem estado parada e tem marcados mais de duas dezenas de concertos para este ano, tendo atuado recentemente nas principais cidades dos Estados Unidos, agora Lisboa e Porto, depois Dinamarca e Suíça. Os espetáculos nos EUA tiveram boas críticas, daí que a noite de hoje tenha tudo para ser de um grande revivalismo.

Ausente estará o famoso letrista, Keith Reid, que já não fez parte do agrupamento no último álbum, Novum, de 2017, mas isso não evita que para a história dos Procol Harum fique a sua presença nos Grammy e Rock & Roll Halls of Fame e uma série de álbuns que foram grandes sucessos.

Foi o disco que comemorava os 50 anos do grupo, Novum, que trouxe de novo a banda para as tournées com o baixista Matt Pegg, o guitarrista Geoff Whitehorn, o teclista Josh Phillips e o baterista Geoff Dunn, que tocarão temas de vários álbuns.

Não se pode dizer que os Procol Harum sejam uma banda de um êxito só, mas sem Whiter Shade of Pale poucos se lembrariam deles. Um single que vendeu mais de dez milhões e fez parte de um primeiro disco, ainda se chamavam The Paramounts, mas foi com a regravação no primeiro álbum da nova banda em 1967 que a canção correu mundo e o grupo entrou para a história da pop na própria semana da chegada às lojas de discos.

A banda sempre foi diferente nas suas composições, com sonoridades de rock clássico, barrocas e psicadélicas, mesmo que o aparecimento pela primeira vez de um saxofone nos espetáculos mais recentes tenha surpreendido os fãs, situação que os sons de hard rock misturados com gótico já antes tinham provocado, no entanto as críticas publicadas na imprensa garantem que a voz de Brooker continua a surpreender ao reproduzir temas clássicos como Homburg, Still There'll Be More, Shine on Brightly, A Salty Dog ou Conquistador.

Entre os mistérios que ainda rodeiam a banda estão as explicações para o seu nome: Procol Harum. Diz a história que era o nome do gato do manager da banda ou apenas uma expressão de um latim manhoso (procol é seguido de um ablativo em vez de um genitivo), e quer dizer "longe destas coisas". Ou a letra enigmática de A Whiter Shade of Pale, que nunca teve o seu verdadeiro sentido explicado.

Para trás deste sucesso do dia para a noite ficam as primeiras versões de blues famosos dos The Paramounts como era moda após os Beatles. Os Procol Harum, no entanto, encontraram em Gary Brooker e Keith Reid os compositores de músicas e letras que lhes deram sucesso durante vários álbuns, sempre numa apresentação de sonoridades e conceitos tão diferentes como é a do seu álbum mais famoso, o Grand Hotel ​​​​​​, e o Exotic Birds and Fruit.

Keith Reid disse sobre estes dois discos que "apesar do grafismo da capa do Exotic ser do século XVII, a música era o regresso ao hard rock, enquanto o Grand era uma tentativa de fazer alguma coisa muito diferente".

Entretanto, Gary Brooker tentou a carreira a solo e alguns sucessos depois, nos anos 1990, dá-se o regresso da banda a novos álbuns. Em 1995 sai Symphonic Procol Harum, até que em 1997 chegam as comemorações dos 30 anos e um renascimento da banda. Que se confirmará hoje e amanhã nos palcos dos coliseus.

Procol Harum

Coliseu de Lisboa, hoje, 21.30

Coliseu do Porto, amanhã, 27, 21.30

120 minutos com intervalo

Alinhamento

I Told on You

Pandora's Box

Homburg

The Unquiet Zone

Can't Say That

The Devil Came from Kansas

The Only One

Simple Sister

Bringing Home the Bacon

Fires (Which Burnt Brightly)

Shine on Brightly

Businessman

Neighbour

A Salty Dog

Grand Hotel

Conquistador

A Whiter Shade of Pale

Discografia

Como The Paramounts

WHITER SHADES OF R&B

Como Procol Harum

PROCOL HARUM - 1967

SHINE ON BRIGHTLY - 1968

A SALTY DOG - 1969

HOME - 1970

BROKEN BARRICADES - 1971

A CONSUMER'S GUIDE TO PROCOL HARUM (ao vivo) - 1971

LIVE WITH THE EDMONTON SYMPHONY ORCHESTRA - 1972

GRAND HOTEL - 1973

EXOTIC BIRDS AND FRUIT - 1974

PROCOL'S NINTH - 1975

SOMETHING MAGIC - 1977

THE PRODIGAL STRANGER - 1991

THE LONG GOODBYE - 1995

THE WELL'S ON FIRE - 2003

THE BEST OF PROCOL HARUM

PORTRAIT

PROCOL HARUM'S GREATEST HITS VOL. 1

THE BEST OF PROCOL HARUM

PROCOL HARUM: THE CHRYSALIS YEARS

PROCOL HARUM: THE EARLY YEARS

30TH ANNIVERSARY ANTHOLOGY

Ler mais

Exclusivos