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Crianças e jovens em perigo

Isabel Pastor: "Não há um salário para o colo, para uma noite sem dormir"

A diretora da Unidade de Adoção, Apadrinhamento Civil e de Acolhimento Familiar da Santa Casa fala das mudanças na lei das famílias de acolhimento. Das soluções para os menores em risco, dos números, do sistema, das falhas, da falta de formação e do que deve mudar.

António era um bebé, filho de Catharina Ignacia, mulher solteira da corte de Lisboa. Nasceu a 5 de outubro de 1807. Teve direito a parteira, a batismo, mas não a crescer junto da mãe. No dia seguinte foi deixado na roda da Santa Casa da Misericórdia para alguém lhe dar outra vida. Uma vida. A tapar-lhe o corpo, apenas um cueiro branco, de cambraia, e uma fita encarnada ao pescoço, com um Santo António de madeira e marfim, a identificá-lo. Daí o seu nome.

António foi um dos muitos que ganharam vida ou um futuro a partir da roda da Santa Casa - a roda dos enjeitados ou dos expostos, como era conhecida a portinhola giratória no Largo da Misericórdia. Na altura, já escondia vidas marcadas pela pobreza, aventuras de uma noite, adultérios e tantas outras circunstâncias. Em Portugal, há registos de que a roda funciona desde 1498. Não só em Lisboa, mas também noutras zonas. A Santa Casa foi pioneira neste sistema e hoje é a maior detentora de sinais do mundo: ou seja, o registo da existência de António é um entre mais de 87 mil.

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