Premium Em tempo de excomunhão


A saga dos deputados brigões continua a render, fazendo correr muita tinta e consumindo ainda muitos minutos de noticiário, quer da rádio quer da televisão, pelo que tudo indica que não será para breve que irá acalmar-se. Pelo menos é o que se intui do exagerado pronunciamento na comunicação social do líder parlamentar do MpD, partido do deputado que diz ter sido vítima de "sanha ignóbil". Num tom e numa linguagem que muito fez lembrar Trump a ameaçar Kim Jong-Un com as fúrias do inferno, disse que o seu partido, dado que tem maioria, vai fazer tudo que estiver no seu poder para destituir o agressor de todas as funções que desempenha enquanto deputado: presidente da Rede parlamentar do Ambiente, vice-presidência de uma comissão especializada... E só não lhe cassa o mandato porque infelizmente lhe escasseiam os votos. Mas é assim o MpD, sempre exagerado.

Ninguém terá acreditado na patranha do deputado mofino que leva, ainda por cima em frente a colega, e vai fazer queixa à polícia.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?