Premium Alberto Pimenta e Edgar Pera – os amigos são para as ocasiões

Celebração efusiva de Edgar Pera a Alberto Pimenta, O Homem Pykante - Diálogos kom Pimenta é um documentário sem convenções já nos cinemas do Porto e de Coimbra. Em Lisboa apenas passa uma vez, no dia 6 de abril, no Monumental.

Deparamo-nos com um sorriso. O sorriso de Alberto Pimenta, poeta e pensador que nos últimos anos tem estado fora do nosso imaginário. Um sorriso que foi filmado durante anos por Edgar Pera e que agora finalmente o público pode sentir de perto no grande ecrã. Não se trata de um documentário homenagem ao homem e ao artista, conforme a sinopse exclama, é outra coisa, talvez mais perto do documento manipulado. E manipula-se porque Pera é um manipulador tremendo. Manipula-se também porque as palavras e as ideias de Pimenta pedem desafio de provocação.

O Homem Pykante - Diálogos kom Pimenta, já mostrado no IndieLisboa, quase há um ano, abre-nos a porta ao mundo de Alberto Pimenta. Mas é Edgar Pera a deixar que o mundo de Pimenta se aproprie do filme. E o resto é connosco, com a nossa capacidade de sermos embalados por aquele imaginário e pela sugestão de performance.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?