Premium A Guerra acabou e a vitória não é nossa

Após oito anos, setenta e um episódios e quinhentas mil opiniões, terminou A Guerra dos Tronos, e a profecia foi cumprida: os vencedores foram eles.

As escrituras antigas falavam de um período de grande tribulação, em que uma sombra desceria sobre a Terra. Uma coisa muito longa, e interessante, e inescapável chegaria ao fim, e as multidões fariam ouvir o seu clamor sobre esse fim, e uma petição seria assinada, e muitos artigos escritos, e muitos tweets tweetados, até um anjo descer dos céus e soar uma trombeta, assinalando a hora de axandrar e mudar de assunto.

Numa série definida em parte por actos de extrema violência, era inevitável que o final fosse o mais violento de todos. Não porque as derradeiras cenas tenham sido especialmente violentas, mas porque o desenlace exerce quase sempre uma violência formal sobre qualquer narrativa, aqui exacerbada pela escala de popularidade e saturação cultural que a série atingiu, gerando milhões de expectativas contraditórias e irreconciliáveis.
Um final "ideal" (no abstracto) é aquele que já está latente, enquanto possibilidade espectral, em tudo o que o precedeu: uma surpresa que possa ser vista como inevitável no segundo exacto em que deixa de surpreender. Mas A Guerra dos Tronos durou demasiado tempo e gerou demasiado interesse para ainda aceder a tal recurso, mesmo que a última etapa tivesse sido cumprida com maior competência.

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