Premium Graças aos cravos portugueses, tudo voltou a parecer possível para as esquerdas no mundo

Autor de Histoire du Portugal Contemporain, o historiador francês Yves Léonard fala ao DN sobre a herança do 25 de Abril, a humildade de Salgueiro Maia, o romantizar da Revolução Francesa e as semelhanças que vê entre a revolução portuguesa e a revolução de 1848.

Conhece bem a Revolução dos Cravos, a foto de capa do seu livro Histoire du Portugal Contemporain é Salgueiro Maia em cima de um blindado. O que o impressionou no 25 de Abril de 1974?
A unidade de tempo, local e ação sob a cor dos cravos: em menos de um dia, em Lisboa, uma ditadura com perto de meio século é derrubada sem um fim trágico nem violência maior, graças à ação determinada e corajosa de uma mão-cheia de jovens oficiais e soldados. Um caso raro, senão único, na história mundial, de derrube pacífico de uma ditadura pelos militares. Nada estava escrito por antecedência e tudo podia ter corrido de forma diferente sem a coragem e a capacidade de improviso destes jovens oficiais, entre os quais o capitão Salgueiro Maia. Pelo seu impacto político e pela força simbólica, o 25 de Abril impõe-se como a data-chave do século XX português, daí a escolha para a capa do livro de Salgueiro Maia em cima de um blindado, com um altifalante, como a mostrar a importância da mensagem dos capitães de Abril entregue a Portugal e ao mundo naquele dia.

Salgueiro Maia depressa saiu de cena, passado o 25 de Abril, regressando à sua caserna. Depois disso, ele não teve qualquer papel político, nem como estratega ou ideólogo.

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