Premium Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.

Oito anos passados, depois de seguir a par e passo a política espanhola, depois de constatar que para ter uma versão completa sobre um assunto é preciso ler pelo menos quatro ou cinco jornais diferentes, depois dos debates de segunda e de terça-feira à noite entre os principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro de Espanha, concluí uma vez mais que uma tal retórica não é exclusiva dessas gerações mais velhas e é usada pelos políticos atuais. Apesar de serem de outras gerações. Pedro Sánchez, atual chefe do governo, líder do PSOE, tem 47 anos, Pablo Casado, líder do PP, sucessor de Rajoy, tem 38 anos, Albert Rivera, líder do Ciudadanos, tem 39 anos, Pablo Iglesias, cabeça-de-lista da Unidas Podemos, tem 40 anos, Santiago Abascal, líder do Vox, partido de extrema-direita que foi excluído do debate, tem 43.

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