Três razões para reforçar a capacidade de vacinação

A proximidade das eleições legislativas tenderá a extremar posições dos partidos no que toca às medidas de prevenção da quinta vaga de covid-19. Nas reuniões com o primeiro-ministro, que arrancaram ontem, o tom foi de preocupação, mas também de exigência. Hoje continuam os encontros entre chefe de governo e os líderes partidários, antecedendo o Conselho de Ministros de quinta-feira, que deverá ditar as regras daqui em diante em termos de gestão da pandemia. O país não deverá voltar a viver um novo confinamento total, mas é importante atuar a tempo de salvar o Natal.

Os partidos podem extremar posições em antevéspera de mais um ato eleitoral, mas também sabem bem da consequência de um confinamento total para a economia e para as famílias. O Iniciativa Liberal, por exemplo, apelou a que não se volte a "confinar as atividades económicas". Dificilmente o país aguentaria uma medida tão drástica. É hora de prevenir, sem radicalismos ou populismos. O governo e as autarquias devem concentrar-se agora em reativar centros de vacinação, muitos deles desmantelados cedo demais. Em cidades como Lisboa, Loures, Coimbra, Leiria e Porto essa decisão já foi tomada nas últimas horas pelos autarcas. Além da inoculação dos mais velhos com a terceira dose da vacina, é preciso prever agora a vacinação com a segunda dose de todos os portugueses a quem foi atribuída a unidose da Janssen. Mais: logo que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) dê luz verde à vacinação das crianças, o que poderá ocorrer esta semana, será necessário e urgente planear capacidade de vacinação também para os mais novos. Como afirmou, esta semana, o médico pneumologista Filipe Froes: se já o fizemos bem no passado e se somos um exemplo europeu em termos de vacinação, é preciso voltar a fazer o mesmo, e bem.

A toda esta capacidade deverá ser ainda necessário juntar uma maior aposta na task force da vacinação, onde, desde que saiu o vice-almirante Gouveia e Melo, tem havido desinvestimento nos recursos humanos alocados. Com a estação fria à porta, é tempo de atuar antes que seja demasiado tarde. Basta olhar para o resto da Europa para ver (com preocupação) o avanço da covid-19. Se havia a expectativa de que até final do ano a pandemia passasse a endemia, essa hipótese parece hoje cada vez mais longínqua. Não é tempo de baixar a guarda.

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