Premium Ciência junta-se ao vinho para encontrar castas resistentes

Líderes mundiais reúnem-se na segunda-feira em Nova Iorque para definir objetivos mais ambiciosos na contenção do aquecimento global. Em Portugal, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, quer apurar quais são as castas mais resistentes às alterações climáticas.

A nuvem de incerteza gerada pela ameaça das alterações climáticas que paira sobre a vinha levou a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, a pôr mãos à obra, à boleia da investigação. Quer tentar pôr a ciência a responder à tendência de aumento dos fenómenos extremos. Parece uma vinha como tantas outras aos olhos do cidadão comum, mas é um verdadeiro campo de ensaios em plena Herdade do Esporão. São 9,7 hectares, o equivalente a dez campos de futebol, em que foram plantadas 189 castas de várias regiões vitivinícolas, em que o Alentejo e o Douro assumem destaque, mas também há exemplares de Itália, França, Alemanha e Roménia. A ideia é apurar quais são as castas mais resistentes, disponibilizando informação aos enólogos para que possam conceber novos vinhos. Sabe-se já que as uvas autóctones estão a dar sinais positivos.

O campo ampelográfico (assim se designa o estudo das vinhas) confirma que "nas situações mais críticas são as castas autóctones que estão a dar resultados mais promissores", salienta Nuno Oliveira, gestor de ecossistema da Herdade do Esporão, numa altura em que os investigadores já sabem que os limites térmicos vão ser prejudiciais à obtenção de vinhos com os atuais padrões de qualidade. Sobretudo em regiões como o Alentejo, onde as vagas de calor habitualmente se juntam à falta de água para rega.

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