Este emprego não é para jovens?

O número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), em Portugal, está a cair há sete meses consecutivos. Os dados partilhados ontem, ao final da tarde, refletem os meses de janeiro a outubro e mostram uma economia em recuperação. Especificamente no mês de outubro, registou-se o número de desempregados mais baixo desde março de 2020. O verão deu fôlego à economia e a elevada taxa de vacinação contra a covid-19 permitiu recuperar uma boa dose de confiança.

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego ascendia a 351 667 em outubro, ou seja, menos 2,1% face a setembro e menos 12,9% face ao período homólogo, segundo o IEFP. Os dados são positivos e apontam para uma tendência de decréscimo do número de desempregados inscritos no IEFP. Apesar de ser um bom indicador, não basta. Daqui em diante será necessário vencer o desafio da quinta vaga de covid-19. Só ontem foram contabilizadas 18 mortes, o número mais alto desde agosto. Se o país conseguir evitar novos confinamentos e se a economia não travar a fundo, a tendência pode passar de cenário a realidade, mas tudo vai depender da forma como a nova vaga da pandemia for controlada, quer pelo governo quer por cada um de nós.

Até ao final do último mês, concluiu-se que para a diminuição do desemprego contribuíram as pessoas que estão inscritas há menos de um ano (-80 389), os indivíduos que procuram um novo emprego (-52 039) e os que têm idade igual ou superior a 25 anos (-41 967). Se olharmos para as regiões, na comparação homóloga, constata-se que o desemprego caiu em todas elas. Mas, na variação em cadeia, observa-se um aumento nas regiões do Algarve (+6,1%) e do Alentejo (+2,4%).

Além da preocupação com o tema em termos de equilíbrio territorial, outra grande inquietude prende-se com a falta de trabalho para os mais novos, um assunto que deveria estar no topo da agenda dos decisores políticos. Afinal, Portugal foi o sexto país da União Europeia onde a pandemia mais jovens atirou para o desemprego e essa é uma das grandes preocupações das famílias lusitanas. Segundo dados de inquérito da Eurofound, 6% dos que terminaram os estudos não encontraram trabalho e 8% perderam o emprego que tinham. É preciso fazer mais pelos jovens!

Uma nota final para dar os parabéns pelo nascimento, ontem, da CNN Portugal. O país ganha em ter novo canal de televisão dedicado à informação. A diversidade e o reforço do panorama da comunicação social em Portugal é um sinal relevante e que reafirma a importância do verdadeiro jornalismo. Além disso, uma democracia saudável precisa de fortes e credíveis meios de informação e a CNN é, em si, um grande selo de qualidade. E, como não há marcas nem empresas sem pessoas, será o talento dos jornalistas a fazer a diferença nos conteúdos informativos. Investir num jornalismo livre, rigoroso e independente ainda é o caminho para o sucesso dos media.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG