Premium Os novos passes sociais, o eleitoralismo e o PSD

Num governo que se limitou a tomar medidas conjunturais e que deixou de governar no pós-cumprimento do acordo com os seus parceiros de geringonça para apenas navegar à vista, esta é das pouquíssimas medidas que comportam uma reforma séria e uma visão estratégica acertada.

Em tese, em democracia, todas as decisões que um governo toma são eleitoralistas: quem as pratica acha que são para o bem da comunidade e esta as apreciará. Mas o que costumamos chamar de medidas eleitoralistas são aquelas que apenas visam um bom resultado eleitoral desprezando o bem comum. Decisões que agradam a um conjunto de pessoas mas que são para a comunidade em geral e, muitas vezes, para essas mesmo negativas. Não faltam exemplos: aumento dos funcionários públicos no tempo do governo Sócrates quando a situação financeira do país já era desesperada, subsídio de férias para reformados quando de Cavaco Silva e por aí fora.

O novo regime dos passes sociais para as zonas metropolitanas de Lisboa e Porto é uma boa decisão do governo, por qualquer ângulo em que se aborde a questão. O eleitoralismo que lhe apontam apenas pode ter por base o momento em que é lançada. Claro que o momento é escolhido em função da proximidade das eleições, sendo legítimo pensar que podia já ter sido implementada. Mas, convenhamos, para uma medida desta importância e com o alcance que tem, este óbvio defeito é quase despiciendo.

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Ferreira Fernandes

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Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.