Premium A mais bonita história que conheço de Moçambique

A província de Sofala, e até a capital, Beira, foi inundada pela sua riqueza, os deltas do Búzi e do Púnguè transbordaram. Toda a região, acrescentando a vizinha Zambézia, atravessada pelo imenso Zambeze, está marcada pelos seus rios. Por vezes, estes são tragédia; outras, salvação... Os seus povos têm de viver com eles.

Mário Amado despediu-se da mulher e dos três filhos sem grandes adeuses, ia ali a Quelimane fazer um jogo e voltava. Ele era um daqueles futebolistas negros, longos e falsos lentos, alinhava no Cessel, o clube da Sena Sugar, a companhia açucareira dona de toda a vila do Luabo, no delta do rio Zambeze. Ganharam o jogo. O avião da equipa voltava na terça - os 250 quilómetros por estrada eram perigosos, Moçambique matava-se então em guerra civil (fim da década de 1980) e os guerrilheiros da Renamo cercavam as cidades.

Nessa terça, técnicos sul-africanos abririam nova fábrica da Sena Sugar e a chegada da equipa ia ajudar à festa. De manhãzinha, um Cessna aterrou na pista do Luabo, o piloto estranhou o aeródromo vazio, manteve os motores a trabalhar e viu uma arma automática apontada à carlinga. Puxou o manche, fez-se ao ar, o seu copiloto foi morto mas ele lançou o alerta: o Luabo fora ocupado pela Renamo. Em Quelimane, esperando o embarque, caiu a notícia. "Fiquei muito calmo e decidi ali mesmo: vou buscá-los." Meses depois, em Quelimane, bebíamos cerveja num bar, quando Mário Amado me contou a sua história.

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