Aconteceu em 1939 - O delicado equilíbrio de Salazar

A Europa e o Mundo viviam momentos conturbados em junho de 1939. Itália em guerra, a guerra civil de Espanha ainda mal acabara e no horizonte já se anteviam problemas bem maiores.

Na primeira página do Diário de Notícias, bem ao lado da notícia que assinalava a assinatura do tratado de aliança italo-germânico, um discurso de Salazar à Assembleia Nacional a explicar as traves mestras da complexa posição portuguesa na política internacional. "Somos e orgulhamo-nos de ser, pela nossa organização, pelo nosso trabalho, pelas nossas conceções políticas e sociais, pela nossa estabilidade, um fator de paz", anunciava o "Sr. Dr. Oliveira Salazar, num solene e admirável discurso".

"Por mim - e sei que falo em nome do meu país - tomo tanto a peito cumprir fielmente os deveres da aliança como não deixar, por honra e interesse de ambas as partes, corrompê-la ou aviltá-la", dizia o chefe de Estado que, no entanto, já ia deixando avisos a quem o quisesse ouvir: "A artificiosa criação de blocos ideológicos suscita problemas que prejudicam o entendimento dos povos." E sobre a posição de Portugal? "Fundamentais da nossa política externa: aliança inglesa, solidariedade peninsular, ligação íntima, que vem do sangue e da alma dos avós, com o Brasil". Um equilíbrio que os anos seguintes haveriam de tornar delicado e, no mínimo, complexo de manter.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.