Premium Joumana Haddad: "As mulheres deveriam livrar-se da virgindade à nascença"

Escolheu O Super-Homem É Árabe para título do seu livro sobre discriminação das mulheres. Antes fora Eu Matei Sherazade... É considerada uma das mulheres árabes mais influentes.

Considera-se antes de mais poeta, mas foi no ativismo social que a libanesa Joumana Haddad se tornou uma das cem mulheres árabes mais poderosas do mundo. Fundou a revista Jasad (Corpo) e já publicou vários livros sob a condição feminina. Veio a Lisboa lançar O Super-Homem É Árabe após já ter publicado Eu Matei Sherazade. Livros onde se expõe sem censura num diálogo sobre os males do mundo árabe e nos quais questiona tudo o que impede mulheres e homens de serem felizes e agirem corretamente com o outro género. O subtítulo do seu mais recente livro diz tudo: Sobre Deus, o Casamento, o Machão e Outras Invenções Desastrosas.

Disse em tempos que era a mulher "mais detestada" no Líbano...

Não é por acaso, é que quando se é principalmente uma pessoa interessada em defender os direitos humanos no mundo, se está convencida de que a liberdade é um dos mais importantes elementos da vida, se tem valores como a igualdade e a justiça social e se sobre isto se põe o facto de se ser uma mulher que diz o que pensa, obviamente que estarei a viver num país que me detesta. No entanto, também vivo num país em que muita gente me apoia e dá força para continuar a lutar. Se não fosse assim, talvez tivesse desistido há muito tempo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.