Lucros das empresas da bolsa vão continuar a crescer

As cotadas do PSI 20 têm conseguido aumentar os lucros nos últimos trimestres. Energéticas e papeleiras são das que mais poderão surpreender.

Os lucros das empresas do PSI 20 têm engordado nos últimos tempos. Só em 2017 os resultados foram de cerca de 3,5 mil milhões de euros, os mais altos da década. E com a época de contas semestrais à porta espera-se que os lucros das cotadas nacionais continuem a aumentar. Nos próximos dias, a maior parte dos pesos-pesados da bolsa portuguesa vai mostrar os resultados ao mercado. A NOS dá hoje o pontapé de saída na época de exame às contas.

A recuperação da economia interna e da mundial e os baixos custos de financiamento têm ajudado os números das empresas. No entanto, apesar de os indicadores ainda serem positivos, João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa, diz ao DN/Dinheiro Vivo que "existem algumas variáveis como o consumo interno e a contribuição do turismo que podem merecer alguma atenção e corresponder a valores de abrandamento ou estagnação no segundo trimestre".

Energéticas e papeleiras são apostas

Nas apostas para quem poderá fazer parte dos grupos dos vencedores da época de resultados semestrais, as empresas da energia e as papeleiras são as que reúnem maior consenso. "Atendendo a alguma resiliência das cotações das mercadorias como o crude, o foco e atenção estaria nas energéticas, mas também nas papeleiras (que podem ser beneficiadas com os processos de substituição do plástico) ", diz João Queiroz.

Também Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos, salienta que "se olharmos para a EDP e a Galp Energia, empresas que já apresentaram os seus dados operacionais para o primeiro semestre de 2018, podemos provavelmente apontar para uma evolução favorável, traduzindo a produção de energia hídrica (no caso da EDP) e a evolução da cotação do petróleo (no caso da Galp Energia) ". O barril de brent valorizou quase 20% no primeiro semestre.

No primeiro trimestre, a Altri e a Navigator aumentaram o lucro em 90% e 50%, respetivamente. A Galp melhorou o resultado em 75%. Já a EDP poderá agora recuperar algum do terreno perdido. A elétrica tinha reportado uma descida de 23% do lucro no primeiro trimestre devido a efeitos extraordinários. Em termos recorrentes o resultado teria caído 5%.

CTT com novo exame. NOS dá o pontapé de saída

Mas se a maior parte das empresas do índice de referência nacional têm estado a aumentar os lucros, o mesmo não se passa com os CTT. A empresa de correios tem piorado os números nos últimos trimestres e as ações são as que mais descem no PSI 20 nos últimos 12 meses. A administração liderada por Francisco Lacerda foi forçada a cortar dividendos e a anunciar novas medidas para recuperar os resultados. "O grupo CTT deverá estar no centro das atenções dos investidores, tendo em conta os receios que permanecem quanto à evolução da sua atividade e as expectativas quanto ao impacto da implementação do plano de transformação operacional", diz Albino Oliveira.

Já para a NOS, que apresenta resultados hoje, o analista da Patris Investimentos refere que "os últimos trimestres mostraram uma evolução mais moderada das receitas, mas também a capacidade de a empresa controlar a sua base de custos".

As indicações deixadas no primeiro trimestre foram boas, com os lucros a aumentar cerca de 20%. A equipa de research do BiG diz que é "expectável que a tendência se confirme nos resultados semestrais, dado que não identificamos atualmente eventos negativos que revertam a esta tendência".

Os investidores procurarão sinais de continuação destas tendências nos resultados do segundo trimestre de 2018, assim como no que se refere ao balanço do grupo e ao seu impacto em termos de política de distribuição de dividendos.

Quanto pesam os resultados no andamento da bolsa?

A bolsa portuguesa tem, neste ano, um dos melhores desempenhos da Europa. O PSI 20 ganha mais de 4% desde o início do ano, o que compara com descidas das ações espanholas e alemãs, por exemplo. Para manter este desempenho, resultados acima do esperado pelo mercado ajudariam. "Uma época de resultados positiva, com contas acima ou em linha com as expectativas, é benéfica para o desempenho do mercado", diz a equipa de research do BiG. Mas realça que isso "não garante outperformance [desempenho acima do mercado] só por si."

João Queiroz explica que "atendendo a que as empresas nacionais têm de suportar um desconto por terem sede numa das economias mais endividadas (em termos relativos) do mundo, para conseguirem a atenção dos investidores necessitam de conseguir surpreender". Considera que "a dimensão económica e financeira incorporada no desempenho dos seus resultados é uma referência importante para conseguir estimular novos acionistas e manter os atuais".

Também Albino Oliveira diz que a época de resultados vai ser "importante" para o desempenho do PSI 20, mas realça que as variações do mercado nacional neste ano se devem principalmente a outros três fatores: "Comportamento dos preços da pasta e do papel (com impacto na Altri, na Navigator e na Semapa), cotação do petróleo (com impacto na Galp Energia) e lançamento da oferta pela China Three Gorges sobre a EDP/EDP Renováveis."

E conclui que até ao final do ano serão principalmente esses temas a motivar o andamento da bolsa portuguesa.

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