Premium Ponte para a outra margem

A 6 de agosto, o dia da inauguração da ponte sobre o Tejo, Lisboa e Almada deliraram com a ligação, os portugueses aplaudiram de norte a sul do país e os media levaram além-fronteiras (mais ainda) a notícia do nascimento daquela que foi uma das maiores obras públicas nacionais. Periferias são aquilo que um homem quiser, onde quiser.

Pessoas. A periferia é gente. Nós, a nossa família, outras famílias, unidos no mesmo movimento espontâneo em direção ao centro. Aí chegamos diariamente para trabalhar, ano atrás de mês, atrás de semana, cada um a fazer o que pode pela sobrevivência. Daí saímos todos os dias de regresso a casa, um pouco embrutecidos, a sacudir o cansaço, porém mais vivos do que de manhã por estarmos de volta. Porque a periferia são estas pessoas que vão e vêm. Gente a deslocar-se entre margens. E nisto são muitas as vias que cumprem o propósito de unir, embora poucas as que o fazem como a Ponte 25 de Abril, especialmente intensa em período de férias e horas de ponta.

"Integrado no acesso norte, o viaduto que dará acesso imediato à ponte é uma obra notável de engenharia, que se desenvolverá ao longo de uma extensão de mil metros e uma altura que chegará a 70 metros. Ficará sobre a zona urbanizada de Alcântara, sem a utilização de andaimes", noticiava o Diário de Notícias a 30 de novembro de 1962, 25 dias depois do início da construção, sem noção da real dimensão que a obra teria no futuro. Por essa altura, estava também já muito adiantada a construção dos caixões metálicos para os moldes das fundações das torres da ponte no rio.

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Adriano Moreira

Navegantes da fé

Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.