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A solidariedade europeia não se mede só em alturas de crise financeira. Ela continua ausente quando vemos centenas de milhares nas ruas da Europa de Leste reivindicando melhor democracia em Budapeste, Varsóvia ou Bucareste. Movimentos pró-União Europeia, sem coletes amarelos, totalmente ausentes da nossa imprensa, das nossas preocupações, à mercê de um autoritarismo crescente sem travão à altura. O desprezo com que os olhamos pode sair-nos caro.

Uma das obtusas características do nosso tempo informativo está na forma totalmente desproporcionada como se cobrem temas que deveriam merecer menos histeria coletiva e outros que justificariam mais destaque mas ninguém lhes concede. Não estou a falar de nenhum assunto exótico num sítio recôndito do mundo, mas das centenas de milhares de pessoas que, sem coletes amarelos, têm saído no último ano à rua em Budapeste, Varsóvia ou Bucareste, numa luta sem violência ou pilhagens por uma democracia muito mais saudável, pela separação de poderes, pela liberdade de expressão, contra leis permissivas à corrupção, na defesa intransigente do vínculo identitário europeu e dos valores da União Europeia. São mesmo centenas de milhares de cidadãos que infelizmente nunca abrem noticiários como uma qualquer manifestação neonazi com um décimo da adesão, nem merece uma linha de solidariedade nesta Europa ocidental habituada a olhar para o mapa até Berlim.

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