Uma maré de estrangeiros em Paris

Chamavam-lhes os "indesejáveis" e eram responsáveis pela "superpopulação de Paris". Assim descrevia o DN o mal estar causado pelos estrangeiros

"Paris sofre uma invasão quotidiana de estrangeiros", noticiava-se já em 1925, especificando que um terço daqueles que andavam pelos "grandes boulevards" eram estrangeiros e como isso incomodava os franceses residentes na capital.

"Há teatros em que se ouve apenas palmas inglesas, palcos ligeiros onde as representações são bilingues", descrevia o DN, acrescentando que Paris se transformara num "pandemónio de raças, de tipos, de idiomas". Uma situação que desagradava sobremaneira e que o DN via com clareza. "O parisiense não gosta do estrangeiro, embora lhe derreta os francos", criticava o jornal. E elencava as principais razões para o desagrado dos parisienses: "O estrangeiro não faz preços - aceita-os. E por isso o custo de vida aumenta tanto para o hóspede como para o habitante"; "a superpopulação de Paris não deixa um hotel vago, um quarto vazio..."

Detinha-se ainda o jornalista sobre um caso muito específico, o dos russos, que ali chegavam aproveitando a "extrema tolerância que as leis francesas dão a todos os emigrados". E depois de explicar que nenhum outro país europeu estava disposto a aceitar os rejeitados dos Balcãs, que acabavam por ir engrossar a população estrangeira em Paris, questionava: "O que fazer então? Repatriar os indesejáveis? Como, se o seu país de origem não os tolera?"

Problemas modernos com quase 100 anos...

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