"Nunca percebi porque não me convidaram para diretora da Companhia Nacional de Bailado"

Olga Roriz, bailarina, coreógrafa e tantas outras coisas, uma companhia com o seu nome. A mulher que ainda conserva a menina que aos 3 anos se decidiu pela dança.

Céu Neves
 | foto Bruno Raposo/Global Imagens
"A Última Dança para Meu Pai", primeira peça no Ballet Gulbenkian. | foto Direitos reservados
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"Sagração da Primavera", a última dança na Companhia Olga Roriz. | foto Rodrigo de Sousa/direitos reservados
 | foto Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Nasceu em Viana do Castelo, veio aos 3 anos para Lisboa para vingar na dança. Aposta segura, pela sua determinação, vontade de ser diferente e saber agarrar as oportunidades. Tantas que, aos 63 anos, continuam a fluir projetos e em várias áreas. Soube que há três anos tinha uma doença autoimune, teve de parar de dançar. O que poderia dar-lhe para chorar, às vezes, mas é tanto o trabalho ou tão pouca a vontade, diz a própria, que não há lágrimas. Sonha em fazer um solo, uma espécie de autorretrato, em que entram os cadernos usados para cada coreografia, onde até há cartas de amor, e as TAC que fez quando lhe diagnosticaram a doença. "Visualmente, lindíssimas."

Disse que esta entrevista não deveria ser mais uma sobre como começou, mas sobre o que é que a move. Comecemos então por aí. O que a move?

Muitas coisas. A minha área é mesmo a dança, depois tenho vários olhares sobre as coisas e que resultam do cruzamento com várias pessoas. O que me levou, por exemplo, à fotografia ou à escrita. A escrita está mais relacionada com a necessidade que tenho em cada espetáculo de fazer uma sinopse, escrever sobre o meu trabalho - é uma reflexão. Essa escrita começou a ser cada vez mais cuidada no momento em que ela é pública. Durante uma série de anos, houve quase um método, todos os dias escrevia, agora não tanto.

Sempre sobre dança?

Não. Nessa fase era quase um exercício de escrita mas que coincidiu com o momento em que mais me era exigido escrever, também porque gostava. É uma forma de uma pessoa se ir resolvendo, pondo cá para fora as suas reflexões, o que é importante, sobretudo numa profissão tão do corpo como é a dança.

Encontra semelhanças com a dança?

É engraçado, a escrita tem uma dinâmica muito semelhante ao meu movimento na dança, a repetição de palavras, há uma desmultiplicação de ideias que é uma coisa que uso muito na dança, há uma desmultiplicação das personagens, frases curtas. É difícil estar a falar sobre a escrita, mas percebi que também tem uma coreografia, é muito energética, cheia de imagens, simbólica, há ali qualquer coisa que tem que ver com a minha forma de sentir, que passa por tudo o que está paralelo à dança, que é o rio.

Um rio com desvios ou serão complementos?

São sempre complementos, mas também são desvios. Em relação à fotografia, por exemplo, quando comecei a ter uma casa em que já não conseguia entrar porque tudo era laboratório pensei que algo não estava bem: "Sou fotógrafa ou bailarina, não se anda a brincar com a fotografia." Optei para dança, era óbvio.

Porque é que acontecem?

São vários cruzamentos. Comigo acontece várias vezes com áreas para onde as pessoas me levam, facilmente me deixo influenciar, como aconteceu com o desenho, a escrita, a fotografia. Grandes amigos que passam na minha vida e que desaparecem. E eu tento captar-lhes o gesto. Na fotografia, um grande amigo foi para outro país e quis entrar na pele dele. Comprar uma máquina fotográfica, começar a fotografar e a observar como ele, para o sentir. Aconteceu comigo várias vezes, com amantes, com amigos, pessoas que se cruzaram na minha vida e que me influenciaram para ir por ali. Não é uma influência a nível artístico, eu ia por caminhos diferentes, mas a nível desse gesto, dessa lembrança.

Mesmo nas expressões artísticas ligadas à dança há também uma diversificação.

Isso tem que ver com os convites que me vão fazendo. Nos anos 1980 - quando foi a grande mudança para o teatro pós-dramático, onde já existia movimento -, o teatro começou a abrir-se. Os encenadores começaram a convidar coreógrafos, nessa altura fiz coreografias para três ou quatro peças por ano, era muito solicitada, e não era só eu. No meu caso, não chegava lá para fazer uma dancinha, trabalhava com o encenador e aprendi muito. Aprende-se muito a ver uma Eunice Muñoz a fabricar uma personagem durante dois ou três meses.

Também aconteceu isso com a ópera?

Também, funcionei mais como encenadora, mas é uma outra relação, muito difícil. Como coreógrafa, escolho tudo e, depois, com os bailarinos, criamos um espetáculo. Em relação à ópera, a hierarquia é muito estranha, o coreógrafo quase que vem em último lugar e o encenador também não é o mais importante. O mais importante é o maestro, depois o ensaiador do cantor, o diretor musical, o cantor, o músico, o coro, só depois vem o encenador. Lembro-me de uma peça do Stravinsky , quando vem o maestro diz que o ritmo não era aquele, que era muito rápido, tinha de ser mais lento. Respondi que estava a usar uma gravação do Stravinsky e ele respondeu: "O Stravinsky era muito mau maestro." Que ele fosse mau maestro... mas ele não sabia qual era o tempo da sua própria obra? Foi muito difícil.

Tão difícil a ponto de pensar em desistir?

Não, mas não quis repetir. Há pouco tempo o Patrick Dickie, o diretor do Teatro Nacional de São Carlos [TNSC] convidou-me para encenar duas óperas e não consegui recusar. É O Castelo do Barba Azul, do Béla Bartók, e Voz Humana, do Poulenc, com direção artística de Joana Carneiro. Há muito tempo que queria fazer o Barba Azul, conheço bem, são peças que me apetece mesmo fazer. Mas na realidade o que mais me interessa fazer é o trabalho na minha companhia [Olga Roriz].

Uma companhia que tem a seu cargo.

O que é mais difícil, por um lado, porque se tem a responsabilidade de tudo, de toda a equipa, os subsídios, os dinheiros, os espetáculos. Mas já tem 23 anos e acaba por ser uma máquina que se vai desenvolvendo por si própria. Apercebi-me disso quando estive hospitalizada, há três anos e um mês. Tínhamos de apresentar muitos espetáculos e, no fundo, só tive de distribuir os papéis, funcionou sem mim. Também já aconteceu com digressões, mesmo ao estrangeiro, em que não posso ir, por exemplo, quando estou a trabalhar com a Companhia Nacional de Bailado [CNB].

É uma máquina já oleada.

Faço coreografia e direção de cena, mas vou tentando ensinar alguém que está ao meu lado, um estagiário, um assistente, e não sou daquelas pessoas que têm um estagiário para lhe fazer coisas, é para estar pronto para fazer a direção de cena quando eu não puder.

Não é centralizadora?

Sou, mas no bom sentido, não gosto de fazer caixinha, de segredos. Quando tenho uma ideia, gosto de a partilhar e, nessa partilha constante, diária, quem está a meu lado acaba por perceber e conseguir lá chegar se for caso disso. Seja para o bem ou seja para o meu mal.

O que é que a move na produção artística?

O que faz que tenha feito cada um dos meus espetáculos, como os fiz e porque é que os fiz, tem muito que ver com a minha preocupação em relação ao ser humano e às relações, aos seus medos, demónios, penas, tristezas, dificuldades, etc. Apesar de não me ligar muito às pessoas, estou sempre a observá-las e a trabalhar sobre elas. As minhas peças espelham tudo isso, as relações entre homens e mulheres. Claro que aos 30 anos e, agora, aos 63, a minha posição sobre a vida era completamente diferente. Aos 30 achava que os homens e as mulheres eram iguais, há muito tempo que sei que não é assim.

Na sociedade em geral?

Nunca vai haver igualdade entre homens e mulheres, são séculos desta diferença; nunca poderá ser pela igualdade mas pela diferença que chegamos lá. Podemos atingir o mesmo patamar, mas não pela igualdade, tem de ser pela diferença. Nós mulheres temos muitas outras coisas importantes para a sociedade em geral, algumas são iguais às deles, outras não. Há um pensamento, uma sensibilidade, diferentes, uma fraqueza física e, depois, é também uma questão de cabeça, de educação.

Essa vontade de ser diferente é que fez que se destacasse nesta profissão mais dominada por homens?

Tem que ver com todo um percurso, a educação dos pais, este macho/fêmea não existia na minha família. Lembro-me de ver muitas vezes o meu pai a lavar a loiça e a minha mãe a ler o jornal, isto há 50/60 anos. Saí da casa dos meus pais achando que todos os casais eram assim. Tive todo esse apoio e, quando era pequenina, sempre pensei que eram os bailarinos que faziam as suas danças. A minha mãe disse que não, que eram os coreógrafos, e eu disse logo que queria ser coreógrafa. Era a minha vontade de ser criadora, de comunicar através do gesto com as outras pessoas. Desde os meus 6/7 anos, lembro-me de organizar o meu cantinho na sala, pôr as luzes, o cenário, de fabricar o ambiente para mostrar a minha dança. Isso eu nunca perdi, mesmo ao longo da minha formação de bailarina, que é uma formação muitíssimo dura. E tem muito que ver com o meu percurso no Teatro Nacional de São Carlos, estive todo o tempo a observar, tipo ratinho da ópera.

Também trabalhou para isso...

Trabalhei muito para isso. Agora também sinto que estive na hora e no sítio certo. Entrar, por exemplo, para o Ballet Gulbenkian quando se dá a grande mudança para uma companhia contemporânea. O Jorge Salavisa [diretor artístico] acreditar em mim e convidar-me para fazer uma coreografia. Se ele não me tivesse convidado demoraria mais tempo, nunca iria desistir, mas demoraria mais tempo a lá chegar. Tive esse privilégio de estar nos sítios que me acarinharam e eu saber agarrar as oportunidades, e quando o Jorge Salavisa me pedia uma coisa e eu queria fazer outra dizia: "Faço isso mas só se puder fazer aquilo. Era um bocadinho enfant terrible."

Por exemplo?

Aconteceu com a minha primeira coreografia mais conhecida, Lágrima [1963], que já era sobre violência doméstica, com música de Nina Hagen, era muito forte. O Jorge Salavisa disse que nem pensar, uma peça com punk rock alemão, que tinha de fazer outra coisa. Fiz outra coisa mas também aquilo queria fazer, a peça tornou-se o cartão-de-visita da Gulbenkian durante anos e anos, mesmo no estrangeiro. Foi uma luta, não é fácil ser coreógrafa principal no Ballet Gulbenkian sendo uma mulher.

Sentiu reações negativas?

De toda a gente, desde os bailarinos. Não é fácil ser coreografado por uma mulher e eu ainda era do corpo de baile, tinha 23 para 24 anos, houve alturas em que coreografava para os meus ídolos.

Não dá medo?

Dá, muito, mas não podes dar o braço a torcer, fiz isso com a consciência de ter de estar certa e de saber muito bem o que queria para poder passar às pessoas. E, às vezes, não sabia, estava à procura. Acontecia pedir um movimento e dizerem que não era orgânico ou não quererem ler os textos que levava, mas depois fui muito acarinhada pela direção.

"Gostaria de fazer um solo com os meus cadernos e as 500 mil TAC que fiz."

Disse uma vez que o Ballet Gulbenkian era a grande companhia de bailado portuguesa. Mantém a opinião?

Continuo. É uma companhia que faz falta. A Companhia Nacional de Bailado tem tentado fazer as duas coisas, mas é muito complexo uma companhia de ballet clássico fazer ballet contemporâneo Toda a gente pensa que os bailarinos conseguem fazer tudo, não é bem assim, não se pode é ter aulas de ballet clássico e depois fazer uma peça da Olga Roriz, é complicado. Claro que, ao longo dos anos, há bailarinos que conseguem fazer as coisas e improvisar, mas isso exige uma técnica. No Ballet Gulbenkian havia uma linha, um fio condutor, um estilo, uma escolha, uma série de coreógrafos e bailarinos com uma qualidade artística ímpar. A CNB está muito irregular, não há uma continuidade, nem de diretores.

O Paulo Ribeiro demitiu-se.

E escolheram uma pessoa, espero que corra bem, porque não tem nada que ver com a companhia.

Quem teria escolhido?

Primeiro que tudo, escolheria alguém português, da dança e que tenha uma base do clássico e de contemporâneo, para depois voar. Vou dizer uma coisa que nunca disse publicamente: não sei porque é que nunca me convidaram. Sei que há bailarinos que pensam que fui convidada e que disse que não, mas nunca me convidaram. Nunca percebi porque não o fizeram. Será que pensam que tenho outras coisas para fazer, que tenho a minha companhia?

Teria aceitado?

É um dever cívico aceitar, tinha de aceitar. O que é que acontecia à minha companhia? Tinha de parar ou, pelo menos, interromper a minha presença, mas é um dever cívico, sobretudo como está a CNB. Quem for para àquela companhia tem de ser com muito amor e paixão, não pode ser só mais um trabalho, por currículo. Tem fantásticos bailarinos, muito boas condições. E há outras pessoas que podiam assumir a direção artística, por exemplo, o Carlos Prado, que voltou para Portugal,

O Ballet Gulbenkian acabou há 33 anos e ainda não tem substituto. É por falta de meios?

Claro, a Fundação Gulbenkian gera muito dinheiro. Para ter uma companhia com 30 bailarinos, o número que tinha quando saí, é preciso muito dinheiro. A minha companhia tem só sete bailarinos, não é porque o queira, é porque não tenho dinheiro para mais. Com estes sete consigo garantir, e nem é um contrato anual, são quatro meses de trabalho e as digressões. Há dois anos trouxe dois estagiários, de resto é muito complicado, mas gostaria de ter mais gente. Foi muito bom conseguir um local de trabalho [Palácio Pancas Palha, Lisboa] e ter um curso [FOR Dance Theatre, de dois anos], os dois estagiários já vieram desse curso. Uma coisa que gostaria e nunca consegui é ter um local próprio para apresentação.

Quais são os outros sonhos?

Há várias coisas e que vou tentando fazer. Para o ano, vai realizar-se uma mostra/festival, o nome é Interferências, em que vão ser escolhidos dez artistas, que ficam um tempo numa residência, à sua escolha, têm um apoio monetário e, depois, apresentam o seu trabalho. É o tipo de coisa que gosto de fazer, pegar nos artistas emergentes.

E que acabam por sair do país.

Espero bem que sim, faz parte, têm de fazer as suas carreiras.

"Pensei [sair do país], mas tinha a sensação de que era preciso estar aqui, de que o meu lugar era aqui."

Nunca pensou sair do país?

Pensei, mas tinha a sensação de que era preciso estar aqui, de que o meu lugar era aqui. Eventualmente, estaria mais bem posicionada a nível internacional, teria um teatro, ganharia muito dinheiro. São muitos "se" e, criativamente, sempre fiz o que quis.

Não tem problema em dizer a idade, 63 anos, como é que na dança uma pessoa se consegue manter ativa tanto tempo?

O último espetáculo que fiz tinha 59 anos. Acho que beneficiei do facto de fazer as minhas próprias coreografias, estava a trabalhar para o meu próprio corpo, fui-me mexendo dentro da minha própria linguagem, do meu léxico, que é o meu corpo, Um bailarino que tenha de fazer isto e aquilo, já é mais complicado. No caso dos meus alunos, em que se trabalha muito com a improvisação, são movimentos que partem do corpo deles, terão muito mais longevidade. No caso de uma companhia de repertório, como é a CNB, é mais difícil, há mais lesões. Estás sempre a fazer coisas novas, com outras técnicas, isso é que às vezes magoa muito.

Teve de parar há três anos por doença, pensa em voltar?

Tenho de ficar um bocadinho mais saudável. Tenho uma doença autoimune (arterite de células gigantes), leva algum tempo, Gostaria de fazer um solo, uma das partes teria que ver com a recuperação dos meus cadernos que tenho para cada uma das peças que coreografei, com indicações, histórias, poesia, até cartas de amor. Cada um tem indicações sobre como eu estava na minha vida naquele momento, onde estava, o que está estava a acontecer-me, o que é que me movia, quem conhecia. Depois, gostaria de mostrar o meu percurso em relação à doença, as 500 mil TAC que fiz, são coisas visualmente lindíssimas, o meu cérebro todo, as cores, queria trabalhar sobre essas imagens, pode ser uma coisa muito interessante. Seria uma súmula da minha vida, a menina ainda lá está. Por uma vez, gostaria de fazer um autorretrato.

O que tem refletido depois de janeiro de 2015, quando descobriu a doença?

Tenho pensado numa coincidência. Estreei-me como bailarina à frente do Ballet Gulbenkian em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva [A Última Dança para Meu Pai] , e a última vez que dancei [não o previa] foi com a Sagração da Primavera , no Teatro José Lúcio da Silva, é curioso. Parece que é um ciclo que se fecha, ainda por cima, a Sagração da Primavera é a história de uma mulher que se vitimiza até à morte, que dança até morrer. Acho bonito,

"Se aquela foi a última vez que dancei, a dramaturgia ficou bem feita."

Tem medos?

Tenho dois medos, perder a memória e perder-me geograficamente.

Quais são as próximas apresentações da Companhia Olga Roriz?

Vou estrear em Lisboa a peça de homenagem ao Bergman [A Meio da Noite], mas antes vamos em digressão pelo país, eventualmente temos uma ida a Londrina, Brasil, a peça vai ser filmada pela RTP. Tenho as duas óperas e vou fazer duas peças em dança, ainda estou a pensar no tema, em princípio será sobre a perda. Tenho muita coisa para fazer, às vezes penso que podia chorar, mas tenho de mandar um e-mail. Estou muito ocupada ou provavelmente não era muita a vontade de chorar.

Perfil

PERFIL

- Nasceu em agosto de 1955, em Viana de Castelo.

- Veio para Lisboa com 3 anos.

- Estudou na Escola da Dança do Teatro Nacional de São Carlos, com Ana Ivanova, e na Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.

- Entre 1976 e 1992 integrou o Ballet Gulbenkian, como bailarina e coreógrafa.

- Em 1992 assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa.

- Em 1995 fundou a Companhia Olga Roriz.

- Estreou-se como bailarina à frente do Ballet Gulbenkian, A Última Dança para Meu Pai, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva, onde dançou pela última vez, Sagração da Primavera, em 2014.

- Mais de 90 obras, não só na dança como no teatro, na ópera e no cinema. Prémios e distinções, nacionais e internacionais.