Premium A cidade nua

Aproveito os últimos dias de agosto para contemplar a cidade nua, despida do trânsito, das crianças que correm para a escola e dos pais que correm para o trabalho, dos rádios dos carros, das sirenes, das vozes ao telemóvel que me entram pela janela.


Sento-me na esplanada e arregalo os ouvidos num exercício de voyeurismo acústico, atento aos sons ténues e subtis que no resto do ano se disfarçam nas tremuras do ar: uma canção antiga da fresta de uma cortina, um passo lento pontuado pelo clique da bengala, a flauta do amolador numa rua longínqua, o choro de um bebé, uma anedota suja, um suspiro de amor ou de cansaço.

São fragmentos de um mundo escondido, vidas ocultas que se descobrem enquanto dura um verão.

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