Premium O que fazer com o 10 de Junho?

O que aconteceu neste ano com as comemorações do 10 de Junho foi um desastre anunciado. Na verdade, poucos nas esferas do poder sabem bem como lidar com a data, o que reflecte um problema maior, espalhado pelo país, relativamente ao que fazer com o passado, com a história. Abandonada à sua sorte, a data acabou por servir para uma discussão em círculo fechado, sobre temas mal definidos e pouco relevantes - o que nada tem de irrelevante. Alguma coisa tem de ser feita. Mas o quê?
A história é feita de datas, entre outras coisas, e há datas simbólicas que tendem a receber especial atenção das instituições, do público em geral. Portugal tem datas importantes no seu passado, claro, da independência ao fim da conquista cristã e à definição das fronteiras, da revolução de 1383-1385 à chegada de Vasco da Gama à Índia, da Restauração à Revolução Liberal de 1820, ou da Implantação da República ao fim da ditadura do Estado Novo. Estas datas são importantes e estão quase todas no calendário das comemorações nacionais, como devem estar, para o bem e para o mal. São, todavia, datas internas, nacionais, menos importantes a nível internacional.

Ora, o 10 de Junho, dia da morte de Camões, é algo diferente. Camões é uma figura de projecção internacional, associado ao renascimento europeu, à expansão, com as suas virtudes e os seus pecados, à primeira globalização. É uma data que pode servir de pretexto para se pensar no lugar de Portugal no concerto das nações e dos povos, para se reflectir sobre as questões que preocupam a humanidade, em qualquer período, em qualquer parte do mundo. É uma data que pode servir de pretexto para debates sobre uma grande diversidade de perspectivas e interpretações à escala internacional.

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