Premium Meryl Streep ou a arte da serenidade aos 70

Recordista de nomeações nos Óscares de interpretação, com uma carreira de mais de meia centena de filmes, Meryl Streep é um caso invulgar de sofisticação e versatilidade. Ao completar 70 anos, mantém-se em atividade, mostrando que as atrizes podem superar todos os estereótipos juvenis.

Mary Louise Streep nasceu a 22 de junho de 1949, em Summit, pequena cidade do estado de Nova Jérsia, 40 quilómetros a oeste de Nova Iorque. Neste dia em que celebra 70 anos, o seu nome artístico - Meryl Streep - reaparece como símbolo de uma veterania que se confunde com a mais depurada arte de representar face a uma câmara de filmar.

Não há nada de nostálgico em tal simbologia. Ao contrário de outras figuras da mesma geração (lembremos os nomes de Jessica Lange e Richard Gere, ambos também nascidos em 1949), Meryl Streep mantém uma atividade invulgar, plena de contrastes. Vimo-la, em finais de 2018, num pequeno papel em O Regresso de Mary Poppins. Já neste ano integrou o elenco da segunda temporada da série televisiva Big Little Lies. Nos próximos meses, deverá surgir em dois títulos lançados para a temporada dos Óscares: Mulherzinhas, nova versão do romance de Louisa May Alcott assinada por Greta Gerwig, e The Laundromat, de Steven Soderbergh, um thriller inspirado nos Panama Papers sobre as relações perversas entre os meios políticos e o universo da alta finança.

A sua popularidade tornou-se, aliás, indissociável de uma espetacular presença na história dos Óscares, sendo detentora do recorde de nomeações no domínio da representação: foi 21 vezes candidata a um Óscar (atriz ou atriz secundária), seguida a considerável distância por Katharine Hepburn e Jack Nicholson, ambos nomeados para 12 estatuetas douradas. Em qualquer caso, Hepburn continua a ser a intérprete mais premiada de sempre, com quatro Óscares; Meryl Streep integra o grupo dos detentores de três Óscares, em que também está Nicholson, a par de Ingrid Bergman, Walter Brennan e Daniel Day-Lewis.

A consistência da sua carreira contrasta com os valores de uma cultura juvenil que, no plano cinematográfico, tem sido dominada pelos cada vez mais formatados filmes de super-heróis. Não por acaso, a própria Meryl Streep tornou-se militante de uma simples, mas essencial, ideia artística. A saber: a importância de criar condições para que as atrizes possam escolher personagens adequadas à sua idade.

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