Premium Eleições legislativas. Vem aí a grande varridela nas listas dos deputados

O complexo processo de elaboração das listas de candidatos a deputados já está em marcha. Tudo aponta para que a composição do próximo Parlamento seja muito diferente da atual. E, por via legislativa, a presença das mulheres será reforçada.

Nuns casos é por vontade própria. Noutros - sobretudo no PSD - nem por isso, antes pelo contrário. A verdade é esta: a composição da Assembleia da República que resultar das próximas eleições legislativas tenderá a ser substancialmente diferente da atual. Em todos os partidos preparam-se mudanças.

Comecemos pelo PSD, o maior partido, atualmente (89 deputados). O que está em causa é renovar uma bancada feita por Passos Coelho em 2015 e adaptá-la ao atual líder, Rui Rio. Já se conhecem alguns nomes que estão de saída - e muito são de deputados que não se reconhecem na liderança de Rio: Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça de Passos Coelho entre 2011 e 2015), Teresa Morais, Carlos Abreu Amorim e Miguel Morgado são alguns desses nomes. Dois ex-líderes da bancada no tempo do anterior presidente do PSD já haviam saído - Luís Montenegro e Hugo Soares - e não deverão agora ser reincorporados. Todos se preparam, em silêncio, para o pós-Rio, se o resultado das legislativas for mau. António Leitão Amaro, um dos deputados do PSD que mais se destacaram nesta legislatura, também já disse que quer sair.

Mas ao mesmo tempo que se prepara a saída, também se preparam as entradas, no PSD. Em outubro, Carlos Moedas já não será comissário europeu, preparando-se assim para encabeçar uma lista de círculo. Em 2011 isso aconteceu no seu distrito natal, Beja (e foi eleito). Nas últimas europeias, foi mandatário da lista encabeçada por Paulo Rangel.
Quem também deverá estar de regresso, depois de uma longa ausência, é Carlos Coelho, que não conseguiu nas europeias ser reeleito eurodeputado.

David Justino, antigo ministro da Educação e agora vice-presidente de Rio na direção do PSD, também será candidato. Tem coordenado a preparação do programa eleitoral. O líder do partido deverá também colocar como cabeça-de-lista de um círculo - no caso, o de Viseu - o antigo presidente da respetiva câmara, Fernando Ruas, que passou os últimos cinco anos no Parlamento Europeu. Uma novidade será ainda Elina Fraga, atualmente na direção do partido. Durante o governo de Passos Coelho (2011-2015), Elina Fraga foi bastonária da Ordem dos Advogados e fez a vida negra à então ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. A sua promoção a dirigente nacional do PSD por escolha de Rio levou Teixeira da Cruz a acusá-lo de "traição".

No PS, já se sabe que João Soares - deputado reeleito sucessivamente a partir de 2002 - comunicou a António Costa que não quer voltar a ser deputado. Na legislatura que agora se encaminha para o seu fim teve pela primeira vez uma experiência de governo, como ministro da Cultura. Demitiu-se no início de abril de 2016, menos de seis meses depois de ter tomado posse do cargo, por ter prometido um "par de tabefes" a dois colunistas (Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente). Outras saídas (voluntárias) já comunicadas serão a de dois deputados históricos do Porto, Renato Sampaio e Fernando Jesus. Entretanto, preparam-se estreias nas listas - e uma delas deverá ser a do ministro Pedro Siza Vieira, ministro adjunto  e da Economia.

No Bloco de Esquerda, no PCP e no CDS também já se conhecem algumas mexidas. No BE, na verdade, apenas uma, a de Pedro Soares, que em 2015 foi cabeça-de-lista pelo partido em Braga. Está de saída - e a isso não deverá ser alheio o facto de ter estado envolvido no caso das moradas falsas dos deputados (declarou que a sua morada em Braga era a sede local do BE). No PCP, Rita Rato está de saída porque foi colocada numa posição de eleição impossível (cabeça-de-lista pelo círculo  da Europa). O mesmo se passa com Jorge Machado, transferido do Porto para Viana. No CDS, Pedro Mota Soares e Teresa Caeiro já anunciaram que querem sair.

A renovação global das listas será ainda marcada pelo facto de a quota mínima de género passar de 33% para 40% - o que evidentemente aponta para um reforço da presença de mulheres.

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