Berardo e Constâncio: dois maus da fita não explicam a história toda
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Berardo e Constâncio: dois maus da fita não explicam a história toda

A guerra pelo BCP regressou à ribalta, 12 anos depois, quando se avaliam as dívidas à Caixa Geral de Depósitos. Mas um crédito, estranho, de 350 milhões não resume o que se passou.

Era de noite e os holofotes da RTP estavam ligados, iluminando o palco do Prós & Contras, o programa semanal de debate moderado por Fátima Campos Ferreira. Mas a moderação era impossível. João Rendeiro acabara de falar e sentado ao seu lado (pró ou contra, a memória não guardou) estava Joe Berardo. O tema era o BCP, e os dois homens estavam do mesmo lado da barricada. Queriam ambos uma "mudança" no maior banco privado português. Aliados e velhos conhecidos, sim, mas nada mais do que isso. "Está caladinho. Não fales de mim que eu não falo de ti. Respeitinho." Foi assim que Berardo ameaçou Rendeiro, em direto, na televisão pública, no dia 31 de novembro de 2007.

Estas tiradas de Berardo, a sua mescla de português e inglês, os seus adjetivos insólitos - contra as "criquices" de Jardim Gonçalves, por exemplo -, a sua imagem de empreendedor emigrante com a quarta classe que coleciona arte moderna, geravam quase sempre um sorriso aprovador. O "comendador", como lhe chamavam frequentemente, era um milionário excêntrico. E tinha muitos aliados.

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