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Verão Azul

Irmãos de Chernobyl vêm a Portugal esquecer a doença

Todos os anos há dezenas de crianças da região de Chernobyl que vêm passar férias a Portugal. É uma pausa na pobreza e na doença de que vivem rodeados, por causa da reatividade. O DN acompanhou um dia nas férias de dois irmãos na serra dos Candeeiros.

O verão de 2019 trouxe com ele uma novidade para os irmãos Angelina e Arcadi Ycenko: Alice, de seis meses, uma "boneca" de verdade com quem os dois adoram brincar. Estava à espera deles na aldeia de Chãos, Alcobertas, no coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), uma das moradas do programa Verão Azul, que há 11 anos traz a Portugal várias crianças de Chernobyl.

Esta é a sexta vez que os dois irmãos deixam Ivankiv, uma vila a 50 km de Chernobyl, no norte da Ucrânia, para se juntarem à família portuguesa que os acolhe, em cada verão. Aos 15 anos, Angelina treina com a pequena Alice as brincadeiras que quer fazer quando for grande, e concretizar o sonho de ser educadora de infância. Já o irmão, Arcadi, prefere (per)correr a aldeia de bicicleta: tem ali muitos amigos, que foi fazendo nos últimos seis verões.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.