Uma vida dedicada à aviação. "Ainda sonho com a TAP"

Entre elogios à forma como a TAP sempre tratou os tripulantes, Cristina Salema lembra que até 1974 as hospedeiras não se podiam casar.

Cristina Salema saiu da TAP em 2012, aos 64 anos, depois de voar desde 1971. Uma vida dedicada à aviação que deixou saudades. "Ainda sonho com a TAP", conta a antiga supervisora de bordo que cumpre em outubro o sexto ano após o último voo. A comparação entre o que era ser tripulante no tempo em que entrou para a maior empresa de aviação nacional e o que se passa atualmente não tem muita comparação, apesar de a maior diferença ser a que se nota nas transportadoras low-cost.

"Entrávamos logo com contrato, hoje não se passa nada disso. É verdade que também havia uma maior rigidez, até na relação com as hierarquias", conta, lembrando aquele que seria o maior fator de contestação dos tripulantes quando começou a trabalhar: "Recebíamos menos do que os tripulantes das outras companhias e os preços dos bilhetes eram iguais em todo o lado."

O controlo era maior do que o que existirá atualmente, salienta, pois "quando chegávamos ao aeroporto éramos 'interrogadas' sobre tudo, desde a apresentação até à farmácia de bordo".

Também o tempo passada nas cidades de destino era diferente: "Antigamente estávamos três/quatro dias num sítio, agora não é assim. Eu não conhecia África e comecei a gostar depois de começar a ficar lá algum tempo entre voos."

Por outro lado, existiam regras que agora não se aplicam. "Não nos podíamos casar, quem o fizesse tinha de se ir embora. Depois como 25 de Abril de 1974 as coisas mudaram. Tínhamos de ter muita atenção ao aprumo. Mas a TAP tinha um refeitório ótimo, creches para as crianças, transporte (esta benesse agora já não existe), ficávamos em hotéis bons", recorda. Regalias que as empresas de preço baixos na aviação não oferecem aos trabalhadores, mas algumas que a TAP ainda mantém.

"Gostei muito de lá andar, sempre tivemos todos os subsídios, tudo. Na última fase como supervisora já era um bocado mais difícil, mas foram 42 anos de trabalho", conclui.

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Henrique Burnay

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.