Premium Quem são e o que fazem os homens que gerem o Sporting

Nomeados a 16 de junho por Marta Soares, estes 11 membros da comissão de gestão entraram em Alvalade para manter o clube a funcionar e deixar ao futuro presidente um Sporting a rolar nos carris em todas as áreas. O presidente Torres Pereira distribuiu pelouros, as reuniões são às quintas-feiras e há quem tenha mais de uma área de intervenção.

Desde o final da década de 70 que o Sporting não tinha à frente dos seus destinos uma comissão de gestão (CG). A 7 de agosto de 1979, João Rocha, mítico presidente leonino, decidiu demitir-se, mas foi ele quem ficou à frente da CG liderada pelo próprio João Rocha e que durou mais de um ano.

A 16 de junho de 2018, o conselho diretivo (CD) de Bruno de Carvalho encontrava-se suspenso e Jaime Marta Soares, na qualidade de presidente da Mesa da Assembleia Geral, nomeou 39 anos depois uma nova comissão de gestão, presidida por Artur Torres Pereira, antigo vice-presidente de Bruno de Carvalho. Marta Soares recebeu diversas recusas, entre as quais de Pedro Santana Lopes e Eduardo Barroso, mas conseguiu formar um grupo de 11 pessoas complementares entre si, originárias das mais diversas áreas profissionais.

Para a liderar, um nome desconhecido do universo sportinguista, um antigo autarca de Sousel, no Alto Alentejo, e deputado do PSD em três legislaturas: Artur Ryder Torres Pereira, formado em Medicina, embora pouco ou nada tenha exercido. Outro dos 11 elementos é António José Rebelo, que, tal como Torres Pereira, esteve com Bruno de Carvalho mas demitiu-se em maio último. Torres Pereira supervisiona todos os pelouros e gere o departamento de pessoal com António Rebelo.

Sousa Cintra e Luís Marques estão com o pelouro do futebol e por eles passaram os regressos de Bruno Fernandes e Bas Dost, a venda de William e a contratação de Nani.

De 16 a 24 de junho, a CG não teve qualquer possibilidade de aceder às instalações do Estádio José Alvalade, por indicação do conselho diretivo liderado por Bruno de Carvalho, mas a 23 de junho deu-se a assembleia geral de destituição e no dia seguinte, domingo, a CG começou a trabalhar. Os pelouros foram distribuídos por Torres Pereira, de acordo com a área profissional de cada um.

Nos primeiros dias, apesar dos compromissos profissionais dos 11 elementos, todo o tempo era pouco para pôr a máquina a carburar. A primeira medida tomada foi a nomeação de Sousa Cintra, um dos elementos da CG, para líder da SAD, pois já tinha sido presidente e conhecia o bas fond do mundo do futebol. Essa decisão já tinha sido tomada por Torres Pereira, Marta Soares e o próprio Sousa Cintra em jantar ocorrido no CIF, clube de ténis que é presidido... por António Rebelo, também proprietário de uma empresa de material cirúrgico.

Mais tarde, depois de Carlos Vieira e de Rui Caeiro terem renunciado aos cargos de administradores da SAD, entraram, respetivamente, Torres Pereira e Luís Marques, antigo jornalista e ex-administrador da SIC e da RTP e, para espanto de muitos, braço direito de Sousa Cintra nas negociações com jogadores, empresários e clubes. Para os acompanhar na SAD está o financeiro Mendes Salsa, que não faz parte da CG.

No dia-a-dia há pessoas mais frequentes em Alvalade do que outras. Sousa Cintra e Luís Marques estão com o pelouro do futebol e por eles passou o regresso de Bruno Fernandes, a venda de William e a contratação de Nani. Nesta altura passam muito tempo ao serviço do clube (e da SAD). José Diogo Leitão, gestor com passagem pela Media Capital, está muito presente e divide com António Rebelo os dossiês das áreas comercial e de merchandising e a comunicação com o ex-jornalista Luís Marques, que, como já referimos, está envolvido no futebol. Foi José Diogo Leitão, por exemplo, a informar os responsáveis diretos de cada uma das plataformas do clube (televisão, jornal e redes sociais) de que as candidaturas dos suspensos Bruno de Carvalho e Carlos Vieira não deviam ser acompanhadas jornalisticamente enquanto a atual sanção estivesse em vigor. António Rebelo, que chegou a ter sete pelouros quando era vice-presidente de Bruno de Carvalho, tem ainda a seu cargo a fundação e o museu leonino.

Também no quotidiano, o antigo bancário e economista Rui Moço é frequentemente solicitado, pois desempenha a função de controller das contas do clube e está em contacto, quando se justifica, com Mendes Salsa, o seu homólogo da SAD.

No que toca às modalidades, Alexandre Cavalleri, que retirou a sponsorização ao judo e voltou a devolvê-la com a destituição de Bruno de Carvalho, forma equipa com o militar de carreira, o coronel Jorge Gurita. Cavalleri, CEO da empresa de exportação Iguarivarius, tem ainda sob a sua alçada a área da segurança. Nesta questão importa dizer que a CG, depois de ouvir os diretores de cada modalidade, resolveu não alterar a direção que Bruno de Carvalho tinha delineado. Em cada modalidade, há pelo menos três meses, já estavam definidas saídas, renovações e contratações e isto numa altura em que se desconhecia o êxito desportivo que acabaria por acontecer com o pleno de títulos das modalidades de pavilhão.

Mais discretos, devido às suas áreas de intervenção, são o advogado Pedro Reis, que ficou com a área jurídica, António Sá Costa (património) e Silvino Sequeira (núcleos).

O WhatsApp e o arrependimento

Como há elementos da CG a trabalhar em conjunto, quase nunca estão em Alvalade, em simultâneo, mais de cinco, seis. Entre eles estão muito tempo Torres Pereira, Sousa Cintra e Luís Marques. Todos, ou quase todos, apenas às quintas-feiras nas reuniões semanais da CG. A hora para começar varia mas o encontro nunca demora menos de três horas e, até ao momento, quase todas as decisões têm sido tomadas colegialmente.

Ao início ainda foi criado um grupo no WhatsApp, mas "não resultou", como revela um elemento, vingando o contacto direto por telemóvel.

Um outro membro da CG que não se quer identificar garante que já existe algum arrependimento sobre a promessa deixada por Torres Pereira no dia seguinte à destituição de Bruno de Carvalho - "para que fique bem claro que nenhum membro da CG aceitará integrar qualquer lista que concorra às eleições".

"Falamos entre nós que podíamos constituir a melhor lista para o Sporting [eleições são no dia 8 de setembro], talvez tenha havido alguma precipitação de Torres Pereira e creio que ainda possamos reverter essa situação, mesmo que Sousa Cintra e Torres Pereira não o queiram fazer", explicou ao DN, sob anonimato, alicerçando a sua opinião "no bom trabalho que esta comissão de gestão está a fazer".

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