Premium Os Loucos dos Anjos

Há muitos, e "loucos" é palavra antiga, pouco digna e dada a discriminações. Ainda assim é como se vai dizendo, uns são e outros menos, com uns vamos falando e outros enxotamos com um gesto de mão.

Há quem sirva de polícia-sinaleiro, arriscando a vida junto ao semáforo, dançando num cambaleio mais ou menos sóbrio, aflorando os carros qual toureiro afagando os cornos.

Outros que falam sozinhos, desfiando teorias, memórias recalcadas, conspirações globais e malfeitorias várias. Os dedos de unhas sujas acentuam, sublinham e perguntam. "É ou não é?" E a gente encolhe os ombros, "há de ser, pois então."

Outros que roubam, insultam, comem e bebem e fogem sem pagar. São loucos que conhecem o poder da loucura, mais sábios do que muitos sãos. Riem-se da polícia, da vergonha e da má fama. Tivesse a vida seguido outras curvas, fosse outra a ambição... Empresários, talvez, dirigentes vários, deputados da nação.

Drogados e bêbedos são muitos, loucos dedicados àquilo, organizam-se e têm rotinas, dividem os dias em unidades químicas e são especialistas da prospeção. Trocam o corpo e a alma por mililitros ou gramas, são alquimistas proustianos em busca da Madalena perdida.

Finalmente os que mais prezo, os loucos sentimentais. Dão os bons-dias, e passou-bens, ternos e frágeis como nós, querem amor, os loucos. Sorriem e nós também.

Escritor, diariamente online

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