Premium Cher chegou, viu e venceu no universo ABBA

Numa das raras aparições à imprensa, Cher esteve com o Diário de Notícias num encontro em Londres com o elenco de Mamma Mia - Here We Go again e os ABBA. Um rigoroso exclusivo nacional a propósito de um musical superior ao original e que inventa um hilariante casal: Cher e Andy García.

Entre um rocker gótico bem conservado e a mãezinha da Família Addams. É assim que Cher aparece à imprensa internacional na promoção de Mamma Mia - Here We Go again, de Ol Parker, a continuação da adaptação do musical do West End. Cher é a vedeta de um encontro exclusivo a que o Diário de Notícias tem acesso no luxuoso Corinthia Hotel, mesmo ao lado dos protestos que enchiam Trafalgar Square contra Donald Trump.

Se o filme é um festival de todos e mais alguns "prazeres de culpa", perguntamos-lhe quando foi a última vez que teve um desses guilty pleasures.
A cantora-atriz ri alto e com voz profunda e inimitável responde: "Olhe, ainda ontem. Comi três barras de chocolate!"

Assim a um palmo de distância, está impecável - tem 72 mas parece ter 50 anos e dá ideia de ser a única mulher do mundo que fica bem de preto e branco às riscas e com um penteado à Ozzy Osbourne. Cher é Cher e nada tem que ver com a avó loira diva que interpreta neste novo Mamma Mia, uma aparição hilariante que inclui a cantoria de Fernando em dueto com Andy García e subtis trocadilhos sexuais. Ao seu lado, está também Benny Andersson, um dos Abba, génio da cantiga popular, que está encantado com este regresso ao universo das suas canções uma década depois. Diz-nos que não faz ideia do significado do "prazer envergonhado" mas mal descobre que a pergunta veio de um jornalista português começa a falar de Ronaldo ("gostar dele dá direito a culpa", deixa no ar)?

Lembramos que o primeiro filme foi um verdadeiro fenómeno em Portugal (mais de 800 mil bilhetes vendidos...) e que há muito boa gente portuguesa que não tem vergonha de dizer que é fã da sua imortal banda. Benny tem uma explicação: "Não sei os motivos pelos quais há tantos portugueses a gostar da nossa música. Será o tal guilty pleasure? Penso que poderá ter que ver com uma ligação entre a música que sai de nós, povos do norte, e o fado. Quem sabe? Eu adoro fado, sempre amei fado! Desde os tempos da Amália Rodrigues - e ainda hoje ouço. Na verdade, acredito que há mesmo parecenças. Vocês não têm aquelas grandes florestas de pinho que nós temos na Suécia e a luz não é negra como a nossa. Mas depois, no fado, há um elo comum... A música aproxima-nos, não?"

Abba e fado? A pergunta deixaria qualquer um sem resposta rápida...

Sobre os ABBA, Cher lembra que, na América, as pessoas da sua geração apenas conheciam os sucessos: "Claro que todos conhecíamos as canções mais afamadas. Quando ouvi pela primeira vez Fernando ouvi algo diferente, senti ali algo de performance... Agora que tive de a interpretar é que percebi que era uma canção muito complicada. Está tão bem orquestrada! Senti depois que era perfeita para mim e para o Andy García, em especial se pensarmos em termos da relação que as personagens evocam."

Meryl Streep não está presente neste encontro para a imprensa internacional (só apareceu na cerimónia da estreia), mas faz sentido a sua ausência. A sua personagem mal aparece no filme, embora o momento com Cher, nos créditos finais, seja excentricidade daquelas complicadas de sair da cabeça. Dois dos maiores ícones juntos 35 anos depois de terem brilhado em Reação em Cadeia, de Mike Nichols, filme sobre traumas nucleares que marcou o cinema americano dos anos 1980 e a carreira de ambas. Não está Streep mas está Lily Jones, a inglesa que faz dela na sua juventude. A atriz que foi Cinderela, na nova versão Disney, pouco ou nada tem interessante a dizer para além de sorrir imenso. Ao seu lado, Cher só se ri.

Já sem a barba grisalha da personagem latina, o senhor Cien Fuegos, Andy García é outro membro deste gangue de bem-dispostos: "Vou contar algo que as pessoas não sabem: a Cher é extremamente simples. Sempre fui fascinado por ela, desde os tempos de Sonny & Cher. É uma atriz com um talento extraordinário. Além do mais, tem um imenso sentido de humor. Um humor seco... A Cher sempre esteve presente e é alguém incrivelmente atenta à vida. Conto-lhe o seguinte: nos dias em que filmámos o dueto de Fernando eu não estava muito bem das costas - estava com uma ciática que apanhei aqui em Inglaterra, num jogo de golfe. Ela foi impecável: fartou-se de me oferecer comprimidos e não parava de me enviar sms, todos assinados como Ruby e com emojis de beijos. Na altura fiquei com dúvidas se era mesmo ela e respondi-lhe: Cher, és mesmo tu? "Claro que ficou danada, dizendo: claro que sou eu! Conheces mais Rubys?!. Creio que isso sintetiza a Cher..."

Também ao lado de García está a outra metade masculina dos ABBA, Björn Ulvaeus, que não esconde o seu espanto pelo sucesso do primeiro filme: "Ainda fico de boca aberta pela quantidade de pessoas que chega até mim e me conta como Mamma Mia mudou as suas vidas. Do meu ponto de vista,
é-me difícil aceitar isso... Sempre pensei que dois anos depois da nossa separação a nossa música seria esquecida e, agora, estou aqui sentado 35 anos depois. Resta-me ficar humilde e grato. Todos os dias olho-me ao espelho e não me acho nada especial... Isso ainda torna todo este fenómeno mais difícil de perceber."

Pierce Brosnan, o galã irlandês que interpreta um dos possíveis pais da protagonista interpretada por Amanda Seyfried, respira fundo e brinca com tudo isto: "Voltar a este papel foi ter de voltar a enfrentar uma boa dose de humilhação", diz com desplante irónico, ele que volta a cantar Dancing Queen e outras canções orelhudas dos ABBA. "Mas este é um dos filmes que vão ficar para sempre no meu coração. Há dez anos consegui perceber a quantidade de alegria que o primeiro filme proporcionou às pessoas e isso foi uma dádiva", conclui.

Stellan Skarsgard, o "pai" sueco da filha da personagem de Meryl, brinca com Pierce: "Deviam ver como este homem gosta de brincar com os seus genitais..." Todos se riem num tom de humor diferente e a milhas da tal tolice assumida pelo realizador Ol Parker.

Mamma Mia - Here We Go again é ainda mais silly season do que o primeiro e todos sabem disso, em especial Andy García que provoca Cher depois de alguém lhe perguntar como foi estar com Cher: "Estar com Cher? Ontem à noite ou no filme?"

Ler mais

Exclusivos

Premium

Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.