Premium A aventura cinematográfica de António Variações e o seu fado

Chega, finalmente, às salas escuras o filme Variações: o retrato de António Variações é feito a partir de uma genuína admiração pelo cantor, celebrando a música e desenhando o mapa do seu destino.

Muito se tem dito, falado e comentado nos últimos meses sobre o filme Variações, de João Maia (finalmente nos cinemas). Importa dizer: ainda bem. Além de termos assistido a uma campanha promocional sóbria e bem concebida, isso significa também que é possível gerar expectativas saudáveis em relação a um filme português. Não por razões banalmente patrióticas, antes porque, na sua mais desarmada verdade, se trata de descobrir um... filme.

Tal não impede que, no labirinto mediático, se pressinta uma sugestão mais ou menos anónima sobre a necessidade de testar a "veracidade" do retrato de António Variações (1944-1984) proposto por João Maia. Vale a pena enfrentarmos essa questão. Por uma razão muito básica: se os filmes portugueses (mas a questão será válida para qualquer filme, de qualquer origem) começarem a ser reduzidos a relatórios de uma qualquer contabilidade "factual", como se fossem um exercício de fact-checking (para usarmos a expressão consagrada pelo jornalismo global), então é o simples amor do cinema que será desqualificado.

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