Sangue e lágrimas em Praga

A edição do DN de 22 de agosto de 1968 dava conta da intervenção soviética na Checoslováquia.

"Um povo que quer continuar a ser livre", como antetítulo. Depois, como segundo antetítulo, "a invasão da Checoslováquia". E, finalmente, como manchete, "sangue e lágrimas numa capital fantasma". A primeira página do DN de 22 de agosto de 1968 relatava com indignação os acontecimentos da véspera, quando os blindados soviéticos entraram na capital checoslovaca para pôr fim à chamada Primavera de Praga, uma tentativa de democratização feita pelos próprios governantes comunistas. Num mapa, o jornal mostrava como vários países do Pacto de Varsóvia se tinham juntado à União Soviética na defesa da ortodoxia comunista, ou seja o alinhamento incondicional com o Kremlin. "O povo de Praga lutou a peito descoberto contra os blindados russos" e "a raiva e o desespero dominam os checos e dão-lhes força para resistir", acrescentava o jornal. A intervenção do Kremlin foi bem-sucedida e durante mais duas décadas o Bloco Comunista resistiu.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...