Sangue e lágrimas em Praga

A edição do DN de 22 de agosto de 1968 dava conta da intervenção soviética na Checoslováquia.

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"Um povo que quer continuar a ser livre", como antetítulo. Depois, como segundo antetítulo, "a invasão da Checoslováquia". E, finalmente, como manchete, "sangue e lágrimas numa capital fantasma". A primeira página do DN de 22 de agosto de 1968 relatava com indignação os acontecimentos da véspera, quando os blindados soviéticos entraram na capital checoslovaca para pôr fim à chamada Primavera de Praga, uma tentativa de democratização feita pelos próprios governantes comunistas. Num mapa, o jornal mostrava como vários países do Pacto de Varsóvia se tinham juntado à União Soviética na defesa da ortodoxia comunista, ou seja o alinhamento incondicional com o Kremlin. "O povo de Praga lutou a peito descoberto contra os blindados russos" e "a raiva e o desespero dominam os checos e dão-lhes força para resistir", acrescentava o jornal. A intervenção do Kremlin foi bem-sucedida e durante mais duas décadas o Bloco Comunista resistiu.