Premium A minoria absoluta

Em história, os factos com consequências importantes não devem ser esquecidos. E é um desses factos a forma politicamente pouco inteligente como o governo de Passos Coelho conduziu o país, sendo a consequência mais importante o fim do regime de governos de apenas uma parte dos partidos na Assembleia da República. E essa alteração ainda terá mais consequências no futuro.

É fácil dizer mal do sistema político nacional, mas é também fácil recordar que ele é herdeiro de 200 anos de história, atribulada, por vezes, mas cada vez mais consolidada. Essa história parlamentar levou o país a um regime político multipartidário. Portugal não é o Reino Unido nem a França. Mas é como tantos outros países pela Europa fora onde várias coligações parlamentares são possíveis. O relativo atraso político levou a que a atual coligação acabasse com uma designação algo depreciativa. Mas isso vai passar. Em outras paragens, essas coligações são conhecidas como da Jamaica ou do semáforo (Alemanha, Áustria, Bélgica). Neste contexto, a estratégia de Rui Rio, por exemplo, é a mais acertada. Desradicalizando o que seu antecessor radicalizou, é improvável, mas não impossível, que um dia se ligue ao Bloco de Esquerda (recorde-se, a propósito, que PS e CDS já se coligaram no passado). Será sempre uma questão de legítima negociação política. Ou o que o PS de Costa se ligue ao PCP e só ao PCP.

Ler mais

Exclusivos