Casas mais caras fazem subir prestação ao banco

Os juros da casa continuam a subir e há dois anos que não pesavam tanto no bolso das famílias. Os novos contratos são os mais penalizados, não só pelos juros mas porque já sentem a subida dos preços.

Não há metro quadrado que escape. O preço das casas em Portugal subiu 6,4% no segundo trimestre, depois de já ter disparado 10,5% no ano passado. Os aumentos já começaram a ser sentidos na conta bancária dos portugueses que nos últimos meses pediram ajuda ao banco para comprar casa. A prestação média dos novos contratos de crédito à habitação subiu 15 euros em agosto, para 323 euros. O valor mais alto desde abril.

Os números foram publicados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os mesmos dados mostram que, no mês passado, as taxas de juro da casa subiram para todos. Um aumento de 0,1 pontos-base, para 1,039%, foi suficiente para que a taxa de juro média de agosto se destacasse como a mais alta dos últimos dois anos. Mas foram os novos contratos, aqueles celebrados nos últimos três meses, os que sofreram mais com a subida dos juros. O aumento foi de 2,7 pontos-base, para 1,498%, a mais elevada desde maio. Para os especialistas, há mais do que uma explicação para o fenómeno.

"A taxa de juro tem dois componentes: o spread e a base. A taxa-base pode ser variável ou fixa. Na taxa variável há subidas muito leves, estamos a falar de cerca de 60 cêntimos, que está relacionada com variações da Euribor muito reduzidas, portanto não é daí que vêm os aumentos. Os juros sobem porque há cada vez mais gente a optar por fazer contratos com taxa fixa, ainda que não escolham esta opção para a duração total do empréstimo. E as taxas fixas normalmente são um pouco mais altas do que as variáveis. À medida que o peso dessas operações vai aumentando em termos relativos, a prestação média também aumenta", explica Filipe Garcia, economista da IMF.

Sublinha, no entanto, que o atual momento "quente" do mercado imobiliário também deve ser tido em conta. "Acredito que seja o montante médio dos contratos que esteja a aumentar, porque os preços dos imóveis estão mais altos, logo os montantes dos créditos [e das prestações a pagar aos bancos] também são maiores."

Os números do INE revelam que, para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio do capital em dívida subiu 616 euros, somando já 98 374 euros. Há pelo menos dez anos que o valor não era tão elevado.

No espaço de um ano, o capital médio em dívida dos novos contratos aumentou 5660 euros. Em agosto do ano passado rondava 92 700 euros.

Segundo os analistas, a tendência deverá manter-se nos próximos meses. No início de setembro, a agência de rating Standard & Poor's previa que o aumento do preço das casas em Portugal deveria ser de 9,5% neste ano. Ao mesmo tempo, os analistas antecipavam que estes aumentos deverão abrandar devido aos "custos crescentes do endividamento". Em 2019, a subida já deverá rondar os 7% e nos dois anos seguintes é expectável que baixe para os 5%. Os mercados antecipam que em 2019 será também de esperar um aumento das taxas Euribor, fruto da política monetária do BCE, que aos poucos deverá começar a subir os juros. Preveem-se três subidas nas taxas de referência em 2019, que deverão passar dos 0% atuais para 0,75%.

Exclusivos