Premium A falta que ele nos faz

Quem conheceu a casa de Tom Jobim no Jardim Botânico, no Rio, nos anos 1980 e 90, não conseguia deixar de se surpreender. Na estante da sua sala, poucos livros sobre música. Mas, ocupando as prateleiras, tomando a tampa do piano e empilhando-se sobre poltronas, alguns livros de poesia - e muitos dicionários. Dezenas de dicionários, em várias línguas e de todos os géneros: analógico, etimológico, de sinónimos, folclore, pássaros, tupi-guarani, gíria brasileira, gíria americana.

Fazia sentido. As notas musicais, que Tom usava para trabalhar, ele já trazia todas na cabeça. Não precisava tê-las impressas para saber como soavam. Mas as palavras, a sua grande paixão, não podiam ficar soltas pela casa. O lugar delas era dentro dos livros, em forma de poemas, ou dos dicionários, como exércitos de reserva, de plantão para o combate, para a esgrima das ideias. As palavras dominavam também boa parte das conversas de Tom em mesa de bar. E não importava muito o interlocutor. Na verdade, era como se ele dialogasse com elas, mais do que com a pessoa à sua frente.

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Adriano Moreira

Navegantes da fé

Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.