Premium Ah, fadista!

Em 28 de Fevereiro de 1969, quando a terra tremeu violentamente em Lisboa pouco faltava para as quatro da manhã, a minha mãe e a minha avó acordaram sobressaltadas e perceberam que o meu pai não se encontrava em casa. Estava, como de outras vezes, a ouvir fado na Parreirinha de Alfama, onde cantou e cozinhou anos a fio a grande Argentina Santos, que recordo ora de avental ora de xaile.

Foi do meu pai que herdei a paixão pelo fado, que ouvi ao vivo logo em criança, porque os psicólogos nesse tempo não davam palpites, a minha mãe pelava-se por uma noitada e o meu pai era, além de boémio, vagamente doido. Porém, ao contrário de mim, ele estendia o seu amor ao fado às respectivas intérpretes; e, já eu era adulta, contou-me que chegara a ter uma amante fadista a meias com um marquês, que era quem pagava a renda de um andar na Almirante Reis que ambos frequentavam, embora, claro, em horários distintos.

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