A escola para o futuro

O isolamento a que fomos forçados nos dias de hoje pela ameaça real do covid-19 terá, para além do ainda incalculável impacto na economia, profundas implicações sociais, nomeadamente, na forma como nos organizamos como sociedade. O elo de ligação na comunidade está hoje resumido às redes sociais e às novas tecnologias e à criatividade com que, através delas, se procurou compensar o profilático distanciamento imposto pela pandemia. São-nos hoje generalizadamente sugeridas alternativas virtuais no domínio da restauração, da cultura, da prática de exercício físico, na área financeira, entre muitas outras. Uma delas foi na educação.

Um dos grandes entraves à implementação de algumas das adaptações na educação durante esta fase e à transformação na forma como a escola pode estar presente em casa junto de crianças, jovens e respetivas famílias é a desigualdade de acesso. Esta desigualdade resulta do facto de haver famílias sem acesso a computador, telemóvel ou outro dispositivo, bem como a falta de acesso à internet para manter o contacto com a escola e com os professores.

Recorde-se que mais de 5% dos agregados familiares com filhos até aos 15 anos não têm acesso à internet em casa, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Para ultrapassar estas dificuldades, as escolas têm optado por soluções muito diferentes. Há escolas que estão a disponibilizar tablets aos alunos que não dispõem de material informático e outras que têm disponibilizado os materiais de trabalho em papel aos encarregados de educação que não têm possibilidades de os imprimir em casa.

Exigir solidariedade eficaz neste quadro não passa de uma gestão de expectativas frustradas

Há ainda a desigualdade na capacidade de as escolas se adaptarem a estes novos tempos. Algumas escolas para as quais o recurso a plataformas complementares ao ensino presencial já era uma realidade e que por essa razão estão em vantagem face às escolas e aos docentes que têm agora e rapidamente de se adaptar para rentabilizar o tempo em que crianças, jovens e professores têm, por força das circunstâncias, de estar em casa por várias semanas.

De todas as consequências que esta pandemia terá no mundo e na vida de todos nós, agora e no futuro, talvez devamos olhar para as poucas que sejam positivas e que nos ajudem a fazer mudanças que ainda estavam longe de acontecer. Uma delas é na escola. É certo que por força das circunstâncias em que nos encontramos. Mas que ao menos possamos retirar dela o efeito útil de garantirmos que em todas as escolas, seja em que circunstâncias for, o recurso às novas tecnologias e a capacitação de todos aqueles que fazem parte da comunidade escolar são garantidos em condições de maior equidade, tornando-nos desta forma mais resilientes.

Presidente da JSD

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