Premium Realismo social contra realismo socialista

Com a morte de Marlen Khutsiev desapareceu uma figura fundamental na história do cinema soviético e russo - a discussão do(s) realismo(s) está no centro do seu universo criativo.

Ao princípio da tarde do dia 19 de março, surgiu a notícia da morte do cineasta Marlen Khutsiev, contava 93 anos. Tendo assinado a sua primeira longa-metragem, Spring on Zarechnaya Ulitsa, em 1956, no período de "degelo" na URSS que se seguiu às perseguições e censura do aparelho estalinista, Khutsiev viria a impor-se como um nome de fundamental importância na história do cinema soviético e russo.

Escrevo estas notas um dia mais tarde e verifico que o IMDb (imdb.com) ainda não deu a notícia. É uma lacuna sintomática da sua filosofia informativa, ancorada numa postura de "bíblia" da cinefilia. Há longas semanas que o IMDb multiplica notícias, curiosidades ou entrevistas sobre Capitão Marvel e os blockbusters americanos que se anunciam para a temporada de verão... O certo é que o desaparecimento de um criador tão importante como Khutsiev não é assunto prioritário.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).