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renovação urbana

"Isto era maravilhoso." Do Bairro dos Corações só resta a memória

Em Oeiras há um bairro com sete décadas que está a desaparecer para dar lugar a novos edifícios e zonas verdes. Para já restam as recordações de quem ali viveu toda a vida. Até à mudança, as duas moradoras mais antigas vão mantendo a rotina: café pela manhã e compras a seguir.

"As janelas tinham uns corações. É por isso que era conhecido como o bairro dos corações. Era bom viver aqui? Era maravilhoso." Maria Albertina Simões está no átrio do prédio onde mora, um dos poucos que restam neste bairro de Oeiras construído há sete décadas junto à linha de comboio que liga Cascais a Lisboa, enquanto recorda o que era a vida nesta zona da cidade que agora procura regenerar-se. Segundo o plano diretor municipal aprovado em dezembro de 1991 - que a câmara não confirmou ao DN se ainda se mantém -, os edifícios antigos e em mau estado de conservação vão dar lugar a prédios, comércio, zonas verdes e pedonais.

Maria Simões (85 anos) tem ao lado a irmã (Maria das Dores, 88) e a sobrinha que as acompanha neste final de manhã na ida ao restaurante onde vão almoçar. Um ritual das duas irmãs, tal como a visita matinal ao café a que se junta, por vezes, umas compras, "como a ida à peixaria".

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.