Como a amizade com Messi pode ajudar o Barcelona a recontratar Neymar

Argentino e brasileiro jogaram juntos no Barcelona de 2013 a 2017. Catalães têm concorrência do Real Madrid e da Juventus de Ronaldo.

Messi tem saudades de jogar com Neymar e está a fazer força para que ele volte ao Barcelona, clube de onde saiu em 2017 por 222 milhões de euros rumo ao PSG. O desejo do camisola 10 do Barça não é uma novidade. Já em dezembro de 2018 o tinha admitido: "Eu acho complicado. Gostaria que voltasse pelo que significa para mim, tanto como jogador como quanto significa para o balneário. Somos amigos, vivemos situações e momentos lindos, outros nem tanto, porém passamos muito tempo juntos, isso é marcante. Acho muito difícil que deixe Paris, o Paris Saint-Germain não vai deixar Neymar sair."

Meses depois a vontade do PSG mudou. Descontentes com o fraco rendimento desportivo e o excesso de notícias extrafutebol, o clube francês começou a admitir negociar. O problema é que custou 222 milhões de euros - ainda hoje é o mais caro de sempre da história do futebol - e há poucos clubes com capacidade financeira para fazer um investimento assim. Um dos clubes que quer e pode é oBarça, onde joga o amigo Messi. Uma amizade que deu frutos em campo. Entre 2013 e 2017, Neymar e Messi ganharam juntos dois títulos espanhóis, três Taças de Espanha, uma Champions, um Mundial de Clubes e uma Supertaça Europeia.

Tudo começou em 2013, quando Neymar assinou pelo Barcelona. Nessa altura muitos ficaram curiosos para ver como seria a relação dele com Messi, que já travava um duelo de titãs com Cristiano Ronaldo pelo título de melhor jogador do mundo. O humilde Neymar fazia questão de dizer que ia para o Barça para "aprender" com o argentino. "Nunca me preocupei em ser o melhor jogador do mundo, o melhor do mundo já está aqui, é o Messi. Eu sou um dos caras mais sortudos deste mundo por poder jogar do lado dele. Espero poder ajudá-lo a continuar sendo o melhor do mundo", disse o brasileiro na apresentação à imprensa. Um elogio que, ao que parece, não caiu bem ao camisola 10. Segundo a imprensa espanhola, Messi desabafou com alguns colegas de equipa e disse: "Neymar é muito bom, mas que fale menos de mim, não faça bobagens e declare que vem para ganhar títulos."

Contrariando as expectativas, os dois acabaram por se dar muito bem. Neymar contou mesmo numa entrevista ao Altas Horas da Globo que a amizade começou quando Messi o apoiou num momento difícil: "No meu primeiro ano de Barcelona, eu estava em um momento muito ruim de adaptação, jogando mal, não estava tão confiante. Em um certo momento de um jogo, eu estava meio que chorando, triste porque não tinha feito um primeiro tempo bom. O Messi viu que eu estava triste, completamente cabisbaixo. Ele chegou do meu lado, começou a conversar comigo e disse: 'Você tem de ser você, seja como você era no Santos, joga o seu futebol, dribla, chuta... não precisa ficar intimidado porque eu estou aqui ou o Iniesta ou o Xavi...'"

A amizade saiu mesmo de campo e entrou na vida pessoal. Em 2015, o El País disse que um dos segredos do entrosamento entre o brasileiro Neymar, o argentino Messi e o uruguaio Suárez, que compunham o trioMSN, eram os churrascos de domingo: "Nos treinos eles [Neymar e Messi] se provocam, no campo se procuram e nos domingos de manhã, entre picanha, maminha, chouriços e morcelas e o mate feito à uruguaia, ficaram amigos."

E também há quem diga que o brasileiro foi uma boa influência para Messi. Nessa época que o argentino, sempre muito discreto, começou a cobrir o corpo de tatuagens e até pintou o cabelo, ganhando mais personalidade. Depois o brasileiro foi para o PSG e Messi postou um vídeo no Instagram em homenagem ao amigo.

Barcelona não está sozinho na luta

É à escolha do freguês. Conforme o país e o jornal assim variam as notícias da possível transferência de Neymar. Se em Barcelona se fala do Barcelona, em Madrid ainda se vai noticiando um possível interesse do Real Madrid, clube que esteve perto de o contratar em 2013 e depois o viu rumar à Catalunha. E depois há a Juventus...

O Barça mudou a estratégia e deve formalizar uma proposta de empréstimo, sem a cedência de jogadores. A intenção dos catalães é fugir do fair play financeiro da FIFA - neste ano já gastou 120 milhões de euros só em Griezmann - e comprar o brasileiro ao final desta temporada por 150 milhões de euros, uma quantia inferior à desembolsada pelo PSG em 2017 (222).

De acordo com o diário Sport, Neymar já terá mesmo chegado a um princípio de acordo com o Barcelona e aceitou assinar até 2024, altura em que já terá 32 anos. O brasileiro aceitou ainda reduzir o salário de forma substancial. No PSG, Neymar recebe mais de 36 milhões de euros por época e no Barcelona não irá ganhar mais do que 24 milhões por temporada.

Enquanto isso, segundo a imprensa de Madrid, o Real Madrid continua apenas esperando o melhor momento para fazer a sua investida. Certo é que tanto os merengues como os catalães sabem que para contratar o jogador do PSG deverão antes resolver os problemas pendentes do jogador com a justiça espanhola, que reclama uma dívida fiscal no valor de 35 milhões de euros correspondentes ao ano de 2017.

Já em Itália fala-se de uma aproximação do brasileiro a Cristiano Ronaldo e de uma possível ida para a Juventus. De acordo com o Mundo Deportivo, o clube italiano planeia oferecer Dybala e uma quantia para garantir a contratação do extremo para fazer dupla com CR7.

Como encaixar com Griezmann?

Regressar a Camp Nou seria reeditar o trio MSN - com o argentino Messi e o uruguaio Suárez -, mas com direito a bónus. Ou seja, Griezmann. Ernesto Valverde teria alguns problemas para encaixar todos numa espécie de quadrado mágico.

O diretor desportivo, Abidal, quando entrevistado pelo Le Parisien, jogou à defesa sobre um possível regresso de Neymar. "Precisamos de seis jogadores ofensivos e com Griezmann somos seis", falou o dirigente, referindo-se a Messi, Suárez, Dembélé, Griezmann, Malcom e Coutinho, que entretanto saiu por empréstimo para o Bayern e abriu uma vaga.