Maria Teresa Horta.

Entrevistas de verão

"Feministas contra os homens é conversa para desmoralizar"

Maria Teresa Horta faz questão de se dizer poetisa, palavra que as poetas contemporâneas abominam. O recente congresso sobre a sua obra reuniu especialistas de vários países na Gulbenkian e provou como o ícone do feminismo português está em alta.

"Um ficou ao volante e os outros vieram apanhar-me. Achei que era um assalto. Deitaram-me ao chão, batiam-me com a cabeça no chão e diziam: 'É para aprenderes a não escrever como escreves.' Um morador achou que eram ladrões e gritou. E eles fugiram. Ninguém sabe quem eram." Parece um parágrafo de um livro policial, mas é antes a descrição da violenta agressão de que Maria Teresa Horta foi vítima no início dos anos 1970 depois de ter publicado o seu livro de poesia Minha Senhora de Mim (1971) e, no ano seguinte, participar nas Novas Cartas Portuguesas com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno.

Por estranho que pareça, a sua obra completa está neste momento a ser publicada no Brasil, país onde um regime que proíbe a liberdade de expressão, entre muitas outras, se encontra em pleno mandato após a derrota eleitoral do PT de Lula e de Dilma Rousseff. Para a poetisa, esta edição brasileira publicada num país governado por Bolsonaro é "impressionante". Principalmente que esta publicação aconteça "nesta altura".

Do Brasil também não lhe faltam episódios semelhantes ao que viveu em Portugal: "Fui lá lançar o Minha Senhora de Mim e, quando voltávamos de São Paulo para o Rio de Janeiro, apareceram dois homens muito parecidos aos da PIDE que me disseram ser melhor ir para Portugal imediatamente porque no Brasil desapareciam muitas pessoas."

Os seus livros serão lidos neste tempo de Bolsonaro?

Acho que leitura têm, até porque é numa editora universitária e a minha obra é muito lida, estudada e divulgada no Brasil. O que é espantoso é a coincidência de ser lançada nesta altura.

Em tempos disse que gostaria que os seus poemas fossem sempre ditos por mulheres. Ainda pensa assim?

Eu gosto muito pouco de ouvir dizer "a minha poesia" porque ela nunca é dita como eu digo ou como a leio. Há sítios onde paro e os outros nunca o fazem como eu digo. Tanto que muitas vezes fico a pensar se o poema será meu... Isto começou muito cedo e logo no primeiro livro eu já detestava ouvir dizer um poema - não era nada daquilo que eu queria dizer, pelo menos daquela maneira. Quando digo que prefiro as mulheres é por dois motivos: primeiro, por um motivo muito claro, era preciso ser assim na altura, pois havia muitos homens a dizer poesia e muito poucas mulheres a fazê-lo. Achei que como mulher, e como o que escrevo tem muito que ver com o feminino, o meu eu interior, seria necessário então que eu dissesse isso. E torno a dizer: sinto-me mais identificada quando ouço uma voz feminina, como por exemplo a Carmen Dolores, do que a voz de um homem, que me parece dissonante. Há qualquer coisa que lhe falta quando ele fala no feminino, muito provavelmente até por dizer de uma maneira envergonhada, porque a minha poesia é tão erótica e de tal maneira feminina. Não quer dizer que não goste de ouvir homens...

Os seus leitores são mais mulheres ou repartem-se por igual?

Acho que se repartem por igual. Embora eu não goste do Facebook ou de outras redes sociais, publico no Facebook todas as noites um poema. E respondo às pessoas que vão lá, pelo que vejo que a maioria são mulheres. É a única coisa que posso dizer.

Revê-se nos trabalhos que escrevem sobre a sua poesia ou são interpretações distantes dos motivos que deram origem aos poemas?

"Pode-se defender os animais no Parlamento ou tratar das pontas dos cigarros no chão. Tudo isso é possível, agora se fosse sobre mulheres dizia-se logo que eram doidas ou quem são estas malucas."

Considero que é a mesma coisa, embora no recente congresso sobre a minha obra as mulheres que lá falaram referissem "quando li a primeira vez a Maria Teresa, vi na boca de uma mulher coisas que não eram ditas e que eu sentia". Por exemplo, fazer poesia sobre menstruação, que também era preciso naquela altura. Se hoje escreveria aquele livro? Não, na fase da minha poesia neste momento não é necessário. Faço poesia que não é um desabafo de alma - porque a faço todos os dias -, mas algo que tenho de deitar para fora e expressar, ao mesmo tempo que também há nisso uma atitude social. Ou seja, existe aquela voz interior que sai e que sou eu, mas há coisas que também sinto que devo dizer.

É uma missão?

Não diria assim, é mais uma vontade. Nunca me senti com essa missão embora muita gente o pense desse modo; brota naturalmente da minha posição no mundo. Como sempre estive do lado das mulheres, como se vê ao longo da minha obra publicada e das próprias Novas Cartas Portuguesas, essas duas situações interligam-se e na minha vontade de falar é a minha voz feminina que fala.

Não sente que a colocam num lugar e que a querem aí?

Sim, acho que estou catalogada, que me catalogaram. Estão à espera daquilo unicamente e mais de metade do que escrevo nada tem que ver com o que podem chamar missão, eu chamo voz interior de poeta. Assim como têm todas as pessoas, poetas e poetisas, que escrevem, e nada terá que ver com o ter de dizer isto ou aquilo. Já houve alturas em que isso tinha de ser assim, e ainda hoje o que posso dizer de mim própria é que pode naturalmente ser um eu mais feminino que fale mais e ser uma mulher que sente aquilo que estou a escrever, muito mais do que um homem. Na verdade, há ainda uma diferença muito grande entre homens e mulheres, e ainda bem, aí é que está o grande desafio, o da paixão do amor e de duas vozes interiores que nunca se deverão anular. Devem juntar-se, mesmo que sejam vozes separadas.

Quando diz ainda bem que há essas diferenças...

É a nível poético, não a nível de desigualdade. Para mim essa desigualdade social é algo que urge acabar de uma vez por todas e ainda está muito atrasada. Ainda há aqueles juízes que dizem "nódoa negra ou um braço partido, que importância tem?". Isso é terrível porque vem da parte daquele que julga e acha natural que as mulheres apanhem. Ainda há esse senso comum, que é da sua condição apanhar e da dos homens bater. Isso não é verdade, são mentalidades.

Se tivermos de eleger um ícone do feminismo, é a Maria Teresa Horta que está no topo. Concorda?

Dizem que sim, mas não me sinto nada disso. Sou, nunca neguei o contrário, e logo depois do 25 de Abril tivemos o Movimento de Libertação das Mulheres [MLM]. Agora, não sinto a obrigação de ter essa voz ou de ser aquela que faz a sua vida em torno disso, muito pelo contrário, a maioria da minha poesia não tem que ver com essa reivindicação direta e imediata. Também pode ter e também tem. Mulheres de Abril é um dos meus livros de que menos gosto, mas foi necessário fazer e ainda hoje é muito necessário.

"A Cristas é tudo menos feminista. Isso não é nem nunca foi na vida, ou então não sabe o que isso é. Se não sabe, devia informar-se porque tudo o que faz, diz, mostra ou demonstra é contra o feminismo."

Num tempo em que os movimentos de libertação feminista como o foram desapareceram?

Não há MLM mas existem movimentos, só que são menos visíveis em reivindicação porque são vários pequenos movimentos. Quando há pouco tempo, no Dia da Mulher, esses movimentos defendiam entrar em greve eu perguntei: greve a quê? Quando se faz uma greve há uma razão e deve dizer-se qual é o motivo. Eu disse: isto vai acabar rapidamente. Vêm para a rua, gritam, andam, são fotografadas e filmadas, mas não falta a consistência.

Falta um pressuposto ideológico?

Falta e falta-lhes dizer o porquê da greve e o que não fazem. Desde esse dia até hoje desapareceram, o que torna banal as reivindicações. Banalizam algo que não é banalizável, ou não o deveria ser, pois as mulheres continuam a ser violadas e mortas. No ano passado apareceu o cadáver de uma mulher que tinha sido morta num saco de plástico de lixo numa praia - isto é aquilo que mais nos diz. A mulher é lixo, mata-se e ainda se mete num saco e deita-se ao pé de um contentor. O que é isto: ainda somos lixo? Não se ouviu uma voz de mulher nessa altura, ou um grupo de mulheres a fazer qualquer coisa em torno dessa mulher. Eu escrevi um poema e teve muitos "gostos".

Temos o PAN preocupado com os animais e a natureza e não há um partido que defenda as mulheres...

Nem nunca o deixariam existir. Pode-se defender os animais no Parlamento ou tratar das pontas dos cigarros no chão. Tudo isso é possível, agora se fosse sobre mulheres dizia-se logo que eram doidas, ou quem são estas malucas. Como as mulheres estão divididas desde sempre e tiveram um papel subalterno, servil e sob o jugo masculino, ninguém reclama esse papel.

Há uma ausência de representação política?

Sim, e mesmo de representação feminina feminista, digamos. Na verdade, está lá o PAN e estará todo o bicho careta, as mulheres é que não porque seriam imediatamente acusadas de dividir e de dizer palermices boca fora.

No espetro partidário há uma líder política na extrema-esquerda, Catarina Martins, e outra o mais à direita possível, Assunção Cristas. O que fazem?

Ela diz que é, mas a Cristas é tudo menos feminista. Isso não é nem nunca foi na vida, ou então não sabe o que isso é. Se não sabe, devia informar-se porque tudo o que faz, diz, mostra ou demonstra é contra o feminismo. Gostaria que um dia explicasse essa sua atitude, porque é curioso que seja uma mulher. Quanto à Catarina Martins, acho que é mesmo.

Mas o seu discurso nunca é especificamente sobre as mulheres.

Não, e politicamente não convém nem a ela nem ao Bloco de Esquerda se ela dissesse "sou feminista" de uma forma clara. Aliás, se tivesse uma posição mais feminista, ninguém votaria no Bloco. Nunca faria uma oposição por aí, ou tornavam ridículo tudo o que ela dissesse, afinal foi sempre pelo ridículo que se tentou destruir as mulheres. Se formos aos jornais ingleses, franceses ou americanos, quando surgem grupos de mulheres são logo ridicularizadas através de caricaturas em que são gordas, feias, com chapéus à banda ou com uma vassoura na mão atrás dos homens. É sempre com o ridículo que se tem tentado destruir as mulheres. A única mudança nessa ideia de que uma feminista é feia e não gosta de homens só acontece através das atrizes de cinema. Quando elas começam a assumir-se feministas, aí fica muito complicado porque ninguém pode dizer que aquela que era bonita começou a ser feia. E muitas das atrizes neste momento assumem-se como tal e, pior ainda, se têm uma reivindicação de denúncia daquilo que lhes foi sempre feito ao longo dos anos, isso faz percam muito da popularidade e serem até temidas.

Refere-se ao movimento #MeToo?

Vai ter um efeito positivo nas mentalidades, acho que começou a ter pelo menos dentro do cinema, onde as mulheres já não são chantageadas: "Vais comigo para a cama ou nunca terás um contrato assinado", situação que a Marilyn conhecia perfeitamente porque foi assim que começou e tem muito que ver com o fim dela. Creio que tudo isso só pode ser benéfico no que respeita à situação da mulher. A mim chocou-me muito algumas atrizes francesas aparecerem contra isso, como a Catherine Deneuve, pois ela sabe perfeitamente o que se passa. Ela sabe que eu sei, porque quando foi das Novas Cartas Portuguesas esteve ligada à Simone de Beauvoir e ao movimento que apareceu em nossa defesa e que atravessou o país numa longa marcha com velas acesas e, em Paris, concentraram-se em frente à embaixada portuguesa para apresentar abaixo-assinados. Entre as muitas atrizes esteve a Deneuve.

A Simone foi uma das que mais a defenderam, bem como às outras duas Marias. O feminismo frustrou-a alguma vez?

Nunca, pelo contrário, foi sempre muito mais vigorosa contra as vozes masculinas que ridicularizavam as mulheres. Ela dizia-me que era preciso continuar. Ela veio cá com o Sartre em 1975 e a Maria de Lourdes Pintasilgo pediu para ir comigo e conhecê-la, e o que me disse foi que nunca tinha visto alguém assim. Ela é para mim um mito e devo aquilo que sou a ter lido muito jovem o Segundo Sexo com o dicionário ao lado. Aos 15 anos não devo ter entendido tudo, mas li o suficiente para me fazer muito bem! Foi muito importante para a nossa causa quando ela tomou partido por nós. Nunca pensámos que fosse tão eficaz, mesmo que Marcelo Caetano fosse à televisão na penúltima Conversa em Família e dissesse uma coisa incrível da parte de um homem de Direito, professor rigoroso e até bom professor de Direito: "Há aí três mulheres que não são dignas de ser portuguesas." E o processo ainda estava em curso. Foi o que nos fez perceber que a situação estava perigosa e que iríamos mesmo ser presas. No entanto, o representante do Ministério Público acaba por pedir a absolvição e considera as Novas Cartas uma boa obra. O juiz já não deu a sentença porque entretanto houve o 25 de Abril.

"Tem-se muito a ideia de que as feministas só podem escrever sobre feminismo ou qualquer coisa que tenha que ver - só a minha obra desmente imediatamente isso."

Atualmente já não faltam mulheres escritoras...

Felizmente, sempre houve...

Estas novas vozes beneficiaram da vossa luta ou isso não as inspira?

Creio que beneficiaram, mas não se servem disso. Acontece sempre assim. É uma luta em que se abre portas e quem quiser entra. As lutas existem para isso e não só para nós próprias. Também nunca esteve na nossa cabeça escrever as Novas Cartas Portuguesas, elas só nascem da perseguição à Minha Senhora de Mim e do meu espancamento.

Acompanha o que as escritoras escrevem?

Acompanho tudo o que se escreve.

Então, vê que os temas nunca têm preocupação feminista.

Mas está muito subjacente e acho que tem muito que ver com uma reivindicação feminista. É preciso é encontrar porque está lá, pois basta estarem a escrever assim para já o ser. Tem-se muito a ideia de que as feministas só podem escrever sobre feminismo ou qualquer coisa que tenha que ver - só a minha obra desmente imediatamente isso. Penso que o que se quer não é que se escreva aquilo que é evidentemente feminista ou parecido, antes que se escreva com a cabeça aberta. Elas já são diferentes, mesmo que haja coisas terríveis hoje, como o espancamento entre namorados e as mulheres o permitirem, é desmoralizador para mim. A mulher está lá sempre, basta aquilo que dizem, em muito diferente do que diziam há uns anos, a não ser que busquemos uma obra como a da Natália Correia, a da Sophia ou a da Fiama. Aí já há outro olhar, mais longe, mais aberto e mais reivindicativo, seja pelo que for.

Ainda há muitos textos de mulheres por se descobrir?

Elas sempre escreveram; muitos textos vão sendo encontrados e muitos perderam-se. Elas guardavam os livros em arcas com a sua roupa, escondendo os seus livros. Muitas delas não os escreviam às claras, tanto que ainda conheci escritoras da minha geração que escreviam durante a madrugada. Conheço uma que escrevia na cama à luz de uma lâmpada e com o marido ao lado, porque essa história de que as feministas são contra os homens é uma conversa para desmoralizar. É falso.

A escrita sempre foi uma partilha dos dois géneros?

Sempre, e se formos ver através da história, apercebemo-nos que as pessoas mais cultas e que sabiam ler melhor eram as mulheres nas cortes, porque os homens estavam virados para outras coisas e não precisavam de saber senão de batalhas, e elas ficavam com os jograis. Eram as mulheres das cortes que centralizavam os encontros que tinham que ver com a arte e com a poesia.

Lançou recentemente uma recolha do seu trabalho, Eu Sou a Minha Poesia, na qual reúne poemas desde 1960 até 2018. Como vê o passar de todos estes anos?

Eu Sou a Minha Poesia é como uma viagem interior maravilhosa pois eu não seria eu se não fosse isto tudo. Não digo que foi muito difícil, porque tudo o que aconteceu, a censura e más interpretações, bem como os silêncios terríveis que houve à minha volta depois de Minha Senhora de Mim até ao romance As Luzes de Leono, foi um anátema, porque uma mulher não escrevia assim. Nada disto tem que ver com os meus colegas, homens ou mulheres, porque o seu grande apoio foi de uma generosidade espantosa. Hoje é que há esta coisa terrível de "este bocadinho é meu e se aquele sair eu fico um pouco maior". Isso não existia: o José Gomes Ferreira, o Carlos de Oliveira, o David Mourão-Ferreira, eram de uma grande generosidade.

O que quer dizer que até ao romance Leonor existia um anátema?

Há um silenciamento que começa com Minha Senhora de Mim ainda no fascismo, que não tem que ver com política mas com literatura, porque o livro foi um baque tão grande que as mentalidades não conseguiram ultrapassar esse choque. Depois, a outra geração já tem outra marca e pode-se ver que não há críticas aos meus livros durante demasiado tempo, o que não quer dizer que não houvesse venda. Isso era espantoso, e continuava a publicar porque os editores queriam. Isso só acaba com Leonor, porque foi um grande burburinho, êxito, edições sucessivas e todos falaram do romance. No entanto, noto que hoje há outra vez uma reserva grande.

É com As Luzes de Leonor que protagoniza uma das suas polémicas mais recentes ao recusar receber o prémio das mãos de Passos Coelho...

Claro, era o que faltava encontrar-me com a criatura e apertar-lhe a mão. Quando me disseram o que estavam a planear, recusei. E não recusei o prémio, recusei receber o prémio da mão dele. Aquele prémio é espantoso, chamado D. Dinis, o único rei poeta, e é dado por unanimidade por três poetas sobre uma poetisa e escrito por uma poetisa. Eu ia lá recusar um prémio desses! Há coisas que uma pessoa não faz na vida.

Utiliza a expressão poetisa em vez de poeta. Prefere ser chamada assim?

Se me chamarem poeta aceito, porque é uma coisa maravilhosa ser poeta e sempre será. Poetisa é a mesma coisa. Se perguntarem o que acho, creio que me estão a beneficiar. Quando se está a dizer que uma mulher é poeta está-se a dizer que é uma muito boa poetisa. É isto. Na realidade a razão deve-se à Natália, que não dizia poeta mas sempre poetisa, e antes de morrer tivemos uma conversa sobre isso. E ela disse-me: "Maria Teresa, vai-me prometer que continua a escrever poetisa e não poeta." Eu prometi e tenho de cumprir em absoluto. Ela dizia "se eu desapareço, não há mais ninguém que o faça. A Sophia não diz, a Fiama também não". Porque não hei de dizer poetisa? Mas tratarem-me por poeta não é ofensa. Só não tratarei um homem por poetiso.

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