Uma vacina para a sensatez

A pandemia pode dar-nos grandes lições, se as quisermos ouvir, claro. Estes são momentos em que a prudência, o pensamento estratégico, o olhar sobre a floresta - e não apenas sobre a árvore -, são essenciais para ultrapassar a barreira chamada covid-19. Muitos dos entraves do país têm, muitas vezes, que ver com isso: a defesa de uma única árvore.

O vírus não distingue árvores, não tem fronteiras, nem cor, nem partido político. É hora de nos unirmos para enfrentar a crise. Ainda está longe o fim da pandemia e é preciso ter consciência disso mesmo, hoje e agora. De nada vale criar castelos no ar e desenhar planos muito ambiciosos quando a realidade, nua e crua, nos diz que a pandemia continua e vai continuar por cá. Vejamos: ontem o número de novas transmissões duplicou em relação à véspera. Sim, duplicou. E só na última segunda-feira é que reabriram o ensino secundário e o ensino superior, mais dois potenciais focos de contágio aos quais teremos de ficar muito atentos. Até aqui, no total, 831 645 portugueses foram infetados com o coronavírus, tendo 16 951 morrido.

Não podemos manter a economia paralisada, mas temos de ter consciência de que apenas 7% dos nossos compatriotas estão imunizados, ou seja, pouco mais de 680 mil pessoas já tomaram as duas doses da vacina. É uma boa notícia? É. É pouco? Sim, muito pouco. Aos números junta-se mais incerteza e desconfiança. Ontem à tarde, em comunicado, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) admitiu a ligação da vacina Johnson & Johnson a coágulos sanguíneos. A EMA revelou que os casos de coágulos são "muito raros" e acrescentou que "o risco-benefício global permanece positivo". Porém, regressaram os receios. Entendimento semelhante teve já o regulador europeu sobre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19. Apesar da raridade das situações, já há centenas de faltosos à chamada para a vacinação por causa destes episódios que envolvem as inoculações. Por outro lado, a campanha de vacinação da União Europeia tem sido marcada por atrasos na entrega de vacinas e mais esta novela não ajuda.

As famílias, as empresas e os seus trabalhadores, as mais variadas instituições do setor público e do privado precisarão ainda de muita resiliência para enfrentar os próximos meses. Para lidar com tudo isto é necessária, acima de tudo, uma boa vacina para a sensatez.

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