Premium Roteiro pelos mistérios da Notre-Dame de Victor Hugo

Em 1831, o escritor francês Victor Hugo escreveu o romance Notre-Dame de Paris, uma história de amor que era também um alerta para a degradação do "majestosos e sublime" monumento. O livro acabaria por salvar a catedral.

"A Igreja de Nossa Senhora de Paris é decerto ainda um majestoso e sublime edifício. Contudo, por muito formosa que se tenha mantido ao envelhecer, a custo se contém um suspiro e não nos indignamos perante as degradações, as inúmeras mutilações, que simultaneamente o tempo e os homens causaram ao venerável monumento, sem respeitarem Carlos Magno, que assentou a primeira pedra, nem Filipe Augusto, que colocou a última. No rosto desta idosa rainha das nossas catedrais, ao lado duma ruga depara-se sempre uma cicatriz. Tempus edax, homo edacior, o que de bom grado assim traduziria: o tempo é cego, o homem é estúpido."

Palavras de Victor Hugo, escritas em 1831 e que hoje nos parecem tão atuais. Referia-se o escritor francês (1802-1885) às muitas ações de restauro e consequente acumulação de estilos sobre o edifício da catedral de Notre-Dame, em Paris. Verdade seja dita: muita aconteceu em Notre-Dame ao longo dos seus 856 anos. Sofreu remodelações imprudentes, saques revolucionárias e danos provocados pela poluição. "A catedral parece eterna e, no entanto, poucos edifícios foram sujeitos às mudanças da evolução histórica como este", escreveu o historiador Jacques Le Goff, em 2005, no livro Héros et Merveilles du Moyen Age.

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Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.