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prémio pessoa

"Com o aumento das temperaturas, doenças migram para o Norte"

Uma infância a observar insetos, a ouvir histórias de África, uma adolescência a andar no campo, a conhecer o mundo rural e a observar aves. Uma coleção de salamandras e cobras, os copos de água todos com escorpiões... A paixão pela natureza parece que lhe está no ADN. O biogeógrafo Miguel Bastos Araújo, especialista em alterações climáticas, foi o primeiro ambientalista distinguido com o Prémio Pessoa.

Passados quatro meses desde que recebeu o Prémio Pessoa, Miguel Bastos Araújo já se habituou a ir ao supermercado e ouvir alguém dizer "aquele é que recebeu o prémio". Antes, tem consciência, era um ilustre desconhecido em Portugal, mesmo que seja considerado um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas, com distinções internacionais, e um dos cientistas mais citados. Ainda não lhe pedem para tirar selfies mas, em jeito de brincadeira, diz que já lhe pagaram copos em bares.

Mora nos arredores da capital espanhola - é investigador do Museu de Ciências Naturais de Madrid -, mas vem com regularidade a Évora, onde é professor convidado pela universidade. Foi ali que viveu a adolescência até ingressar na faculdade em Lisboa e é onde tem casa e até abriu um espaço hoteleiro com um conceito dirigido a artistas e a cientistas. A vida académica tem feito que ande de um lado para o outro, sempre na Europa, mas foi Évora, onde nem sequer tem raízes familiares, que lhe deu razões para, além de cidadão europeu, se sentir de algum lado, para se sentir alentejano.

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