Premium Legionela. Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e aguarda indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.

À hora em que esta manhã começa, no tribunal de Loures, a instrução do processo do surto de Legionella de Vila Franca de Xira (que em 2014 matou 12 pessoas e infetou mais de 400) Joaquim Ramos estará ao volante de um dos autocarros da Rodoviária de Lisboa, onde trabalha como motorista. "Falharam todos, desde a primeira hora", diz ao DN, ele que foi uma das vítimas do surto, e que está entre os 330 que viram os seus processos arquivados, porque supostamente a Justiça não encontrou um nexo de causalidade na estirpe que de legionella que apresentavam. É ele o fundador da Associação de Apoio às Vítimas da Legionela, que entretanto interpôs uma ação popular junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, contra o Estado português e os ministérios da Saúde, do Ambiente e do Ordenamento do Território e Energia.

Joaquim tem agora 48 anos, vive dependente de uma bomba para ajudar na respiração, e nunca mais foi o mesmo. "Ando 50 metros e tenho de parar para ganhar fôlego de novo. Mas há pessoas ainda em pior situação, que vivem dependentes de uma botija de oxigénio". Naquela quarta-feira, 5 de novembro de 2014, começou a sentir-se mal ao volante do autocarro. Julgava ser uma gripe. Nessa noite, o mal-estar intensificou-se: febre alta, suores frios e calores estranhos levaram-no às urgências do hospital de Vila Franca, onde os médicos lhe diagnosticaram uma pneumonia e lhe prescreveram antibiótico. E, quando no dia 7 as notícias do surto se espalharam em todos os noticiários, Joaquim não juntou logo as peças. Só no sábado, quando começou a piorar, é que a mulher se lembrou de que também ele poderia estar infetado pela bactéria. Depois de um contacto com a Saúde 24 - que o encaminhou imediatamente para o hospital -, haveria de iniciar um período de internamento que durou dez dias, primeiro em Vila Franca e mais tarde no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa.

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