Premium Sem contrato de associação, metade dos colégios estão em risco de fechar

Dos 49 colégios que perderam o contrato de associação, metade corre o risco de fechar já no próximo ano letivo. A outra metade não tem outra alternativa do que a de cobrar aos pais. Mas há ainda quem se reinvente, no meio da crise. É o caso do Externato Liceal de Albergaria dos Doze (Pombal), onde a direção assumiu por conta própria as despesas da turma que o Estado aboliu.

"Se isto fechar, a terra morre." O professor António Branco resume de forma pragmática o que aconteceria se encerrasse o Externato Liceal de Albergaria dos Doze (Pombal), um dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo que perdeu financiamento de turmas no âmbito do contrato de associação com o governo.

Os últimos dois anos não foram fáceis para ninguém. António Branco, de 50 anos - os mesmos que o Externato comemorou neste ano -, nunca deu aulas noutra escola. Desde que se licenciou e se tornou professor de Português que aquele sempre foi o seu local de trabalho, já lá vão 25 anos. Mora a cerca de 15 quilómetros, o que lhe permite muitas vezes ir de bicicleta. E é com esse espírito de mente sã em corpo são que sobe a escadaria da escola, todos os dias, e nos últimos anos trabalha mais estreitamente com a direção. E assim tem vindo a assistir às mudanças, ao que diz ser uma injustiça: o Estado deixou de financiar uma turma (7.º ano) com base no código postal dos alunos. "São alunos que moram aqui a 1500 metros, numa terra chamada Salgueira, por exemplo, e que por causa das novas regras têm de se levantar às 06.30 da manhã e ir para Ourém, ou para a freguesia de Caxarias, quando antes bastava levantarem-se às 08.00 ou mais, e estar aqui às 09.00. E estudar numa escola que aposta neles. Aqui ainda se ensina", conclui o professor, que nesta manhã esteve a preparar os alunos do 9.º ano para o exame desta sexta-feira. São duas das sete turmas que atualmente constituem o universo da escola, num total de 172 alunos, entre o 5.º e o 9.º ano.

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